Presidente da Petrobras descarta mudança na política de preços de combustíveis e ação da estatal para baratear botijão de gás

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Executivos da Petrobras apresentaram nesta segunda-feira (dia 27), em uma entrevista coletiva convocada às pressas, explicações sobre a formação do preço dos combustíveis, cuja alta foi mencionada mais cedo pelo presidente Jair Bolsonaro em cerimônia em Brasília como um dos fatores que alimentam a inflação.

Sob pressão, o presidente da estatal, Joaquim Silva e Luna, foi taxativo:

— Não há mudança na políticas de preços da Petrobras. Reforço essa ideia — afirmou Luna.

Na Bolsa, as ações da Petrobras fecharam em alta depois dessa delaraçao de Luna.

O presidente da Petrobras e sua diretoria afirmaram que a participação da estatal não passa de R$ 2 no preço do litro da gasolina, cujo valor médio na bomba é de R$ 6,10 por litro, com base em dados da Petrobras, ANP e CEPEA/USP.

Com relação ao diesel, os executivos disseram que a participação da Petrobras corresponde à R$ 2,49 por litro, equivalente a 52% do total de R$ 4,80 por litro na bomba. Já sobre o gás de botijão, a empresa recebe R$ 46,90, 48% do valor (R$ 98,30 por 13kg).

Silva e Luna afirmou no início da coletiva que “não há nenhuma mudança na política de preços da Petrobras”, reforçando que é preciso esclarecer à sociedade como é a participação da empresa no preço final dos combustíveis diante do atual momento internacional.

Disse ainda que, no caso brasileiro, há uma “tempestade perfeita”, expressão usada para uma coincidência de eventos negativos:

— Temos um conjunto de fatores que nos impactam diretamente, quase que uma tempestade perfeita, uma consequência ainda da crise da pandemia, um período de baixa ocorrência hídrica com impacto na energia gerando crise energética e uma elevada alta nas commodities de modo geral onde parte do petróleo e gás está incluída.

Os diretores afirmaram que os preços dos combustíveis estão defasados com relação ao mercado internacional e não descartaram novos reajustes, a depender de avaliação técnica sobre a expectativa de evolução da defasagem.

Após a coletiva da Petrobras, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) criticou a defesa da política de preços de paridade internacional pelo presidente da estatal e disse que Luna mente ao reafirmar que apenas R$ 2 do valor total pago pelo litro de gasolina ficam com a estatal, "como se não tivesse responsabilidade sobre preço final do produto".

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O valor da gasolina, por exemplo, segue acima de R$ 6 por litro, segundo dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) na última sexta-feira. É a oitava semana seguida de alta. Em alguns postos, o litro do combustível é comercializado acima de R$ 7.

O presidente citou que "nada está tão ruim que não possa piorar". E atribuiu a alta dos combustíveis à política de preços da Petrobras, embora também costume responsabilizar governadores por impostos estaduais que incidem sobre derivados de petróleo.

Segundo Bolsonaro, embora o grande acionista da empresa seja o governo federal, ele não possui o poder de decidir coisas dentro da empresa.

O presidente lembrou que, no momento da troca de presidentes que promoveu na Petrobras, a estatal perdeu "dezenas de bilhões de reais" em seu valor na Bolsa.

— Ninguém trabalha sob pressão. Trabalha com observações, como hoje estive com o ministro Bento (Albuquer, de Minas e Energia), conversando sobre a nossa Petrobras, o que nós podemos fazer para diminuir o preço na ponta — afirmou.

Logo depois, às pressas, a Petrobras convocou a entrevista coletiva on-line de sua diretoria. Além de negar mudança na política de preços, ao ser perguntado se a Petrobras deveria colaborar com alguma política de redução do preço do botijão de gás de cozinha, Luna respondeu:

— A parte da Petrobras está sendo feita, que é recolher tributos e dividendos (à União). Já recolhemos cerca de R$ 15 bilhões e temos perspectiva de aumentar isso. A forma de aplicação desses recursos cabe ao governo, não à Petrobras.

Bolsonaro já indicou que poderia usar dividendos pagos pela estatal à União para subsidiar o gás de cozinha, um dos itens que mais pesam no orçamento doméstico.

Na cerimônia em Brasília, Bolsonaro afirmou que os problemas econômicos do país são efeitos em decorrência da pandemia também enfrentados por outras nações e mencionou a alta do preço do gás de cozinha.

O presidente citou, por exemplo, o Reino Unido, onde, segundo ele, o preço do gás natural subiu 300%, e os Estados Unidos, onde o preço da gasolina aumentou 40%.

Em relação ao preço dos combustíveis, Bolsonaro ressaltou que não há muito o que se fazer em razão do arcabouço normativo que rege a atuação da Petrobras.

O presidente relembrou quando, no início do ano, pressionou a estatal pelo aumento do preço da gasolina, o que levou à troca da presidência da empresa.

Questionados sobre as ações de combate à crise hídrica, a diretoria da Petrobras disse que a participação das termelétricas da Petrobras na matriz energética brasileira chega a 3%, mas que a empresa realiza uma série de medidas adicionais.

— A nossa contribuição não se prende a isso. A Petrobras vem agindo desde o ano passado para ampliar a oferta de gás para essas termelétricas, como a ampliação do terminal de gás natural liquefeito (GNL) do Rio de Janeiro, que passou de 20 milhões para 30 milhões de metros cúbicos por dia — disse Silva e Luna.

A importação de gás natural liquefeito (GNL) passou de 44 para 101 cargas, com cerca de 90 milhões de metros cúbicos, segundo a Petrobras. Dados da Refinitiv e da consultoria Kpler à Reuters mostram que as importações de GNL pelo Brasil devem atingir um recorde neste mês.

O presidente da estatal também citou aumento da oferta na Rota 1, com mais 2 milhões de metros cúbicos por dia; a substituição do consumo de gás nas refinarias por outros combustíveis e a interligação das Rotas 1 e 2.

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