Presidente da Petrobras pede demissão, e Paes de Andrade deve assumir interinamente a empresa

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A Petrobras informa que José Mauro Coelho pediu demissão do cargo de presidente da empresa na manhã de hoje. Caio Paes de Andrade, nome de confiança do ministro da Economia Paulo Guedes e defendido por Jair Bolsonaro, deve assumir interinamente a presidência da estatal.

O Conselho de Administração da Petrobras vai se reunir nesta segunda-feira para destituir formalmente Coelho do colegiado e debater a indicação de Paes de Andrade para o órgão. Em seguida, este deve ser eleito interinamente presidente da companhia.

A decisão, porém, pode levar alguns dias, já que "os documentos (de Paes de Andrade) ainda não estão prontos" no Comitê de Pessoas, segundo uma fonte.

A decisão de José Mauro ocorre após forte pressão sobre ele e a diretoria da empresa, que anunciou um reajuste no preço dos combustíveis na semana passada.

Ofensiva de Lira

A pressão pela renúncia foi intensificada no fim de semana pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e pelo presidente Jair Bolsonaro, que ameaçam até mesmo a criação de uma CPI para investigar a gestão de Coelho.

Em um artigo publicado no domingo, Lira chamou o atual presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, de “ilegítimo”, embora não mencione que o executivo tenha sido escolhido e indicado para comandar a estatal pelo próprio presidente Jair Bolsonaro em abril.

A partir da indicação, Coelho foi eleito numa assembleia de acionistas, onde o governo tem a maioria dos votos, para integrar o Conselho de Administração da empresa. Em seguida, ele foi escolhido por este colegiado para presidir a estatal. A União é a maior acionista da empresa.

No entanto, no início de junho, pouco mais de um mês depois da posse do executivo, Bolsonaro pediu à empresa a sua substituição por Caio Paes de Andrade, auxiliar do ministro Paulo Guedes, mas o processo burocrático ainda está em curso. Enquanto isso, Coelho seguia no comando.

Com a saída de Coelho, o governo irá trocar praticamente todo o Conselho da empresa e também a diretoria.

Pressão por investigação na Petrobras

A pressão contra a empresa por conta do reajuste no preço dos combustíveis anunciado pela Petrobras na sexta-feira, ignorando apelos do presidente Jair Bolsonaro e do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), será ampliada e intensificada hoje numa ofensiva capitaneada pelo Centrão, o grupo de partidos que sustenta o governo na Câmara.

Deputados e senadores articulam a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Petrobras e projetos para mudar a política de preços da estatal e elevar impostos sobre a produção e exportação de petróleo.

O presidente da Câmara recebe, no início da tarde de hoje, líderes dos partidos na Câmara para definir quais projetos serão colocados em votação. A reunião de terça foi antecipada após o reajuste de 5,18% no litro da gasolina e de 14,26% no do diesel aplicado nas refinarias da Petrobras desde sábado irritar Bolsonaro, Lira, ministros do governo e parlamentares.

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