Presidente da Petrobras veste camisa "Mind the gap" e manda recado na última call com investidores

Bruno Rosa
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RIO — O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse em conferência com analistas na manhã desta quinta-feira, que a Petrobras de hoje é melhor do que a de um ano atrás e que os preços dos combustíveis estão abaixo da média global.

Vestindo uma blusa com os dizeres "Mind the gap", o executivo destacou a importância dos preços dos combutíveis terem "preços de mercado". Um claro recado ao presidente Jair Bolsonaro, que, insatisfeito com os recentes reajustes, anunciou a troca de comando da companhia.

A frase "Mind the gap" vem sendo repetida por Castello Branco em apresentações ao longo dos últimos dois anos. Ontem, a estatal apresentou lucro líquido recorde de R$ 59,9 bilhões no quatro trimestre de 2020, com uma política de preços que segue a paridade internacional.

Para Castello Branco, é surpreendente que em pleno século XXI, o país esteja discutindo os preços dos combustíveis. Segundo ele, o petróleo é uma commodity como outros produtos, que são cotados em dólar e seguem a lei de oferta e demanda global.

- Fugir da regra da paridade de preço de importação, a Petrorbas já provou que foi desastrasosa. A Petrobras perdeu US$ 40 bilhões. E tem outro impacto. Reduzimos a dívida em US$ 36 bi em dois anos e a empresa ainda é muito endividada. Devemos US$ 75,5 bilhões. Nossa dívida é majoritariamente em dólares e como você vai conciliar obrigações em dólares com receita em reais? Outro efeito perverso do descolamento da paridade dos preços de importação - dissse ele.

Castello Branco frisou que a média dos preços do Brasil estão abaixo dos preços globais, embora alguns impostos aqui sejam altos, pressionando os valores para cima

.- O preço não é barato nem caro. O preço é o preço de mercado. Se o Brasil quiser ser uma economia de mercado tem que ter preço de mercado. Preços abaixo do mercado geram muitas consequências, algumas previsíveis outras imprevisíveis, mas todas negativas - disse ele