Presidente da Tanzânia se aproxima de grande vitória; oposição denuncia fraude

Fran BLANDY
·2 minuto de leitura
Homem se protege do gás lacrimogêneo em Zanzibar, em 29 de outubro de 2020
Homem se protege do gás lacrimogêneo em Zanzibar, em 29 de outubro de 2020

A apuração dos votos das eleições presidenciais e legislativas prosseguia na Tanzânia nesta sexta-feira (30), onde o presidente John Magufuli e seu partido, o CCM, estão prestes a varrer nas urnas uma oposição já oprimida nos últimos cinco anos e que denuncia fraude no pleito.

Segundo a televisão nacional TBC, os resultados de 219 distritos publicados pela Comissão Eleitoral (NEC) atribuem 85% dos votos a Magufuli, 61 anos.

No poder desde a independência do país, o Partido da Revolução (CCM) já garantiu maioria absoluta no Parlamento. Os resultados anunciados até o momento indicam apenas duas cadeiras para a oposição, e o restante, para a formação governista.

As 100 cadeiras reservadas às mulheres e ocupadas por cada partido de modo proporcional a seus resultados, os cinco deputados eleitos para representar no Parlamento o arquipélago semiautônomo de Zanzibar e os até dez deputados que podem ser nomeados pelo chefe de Estado não mudarão em nada o equilíbrio de poder.

Várias figuras do Chadema (Partido pela Democracia e o Progresso), principal sigla da oposição, perderam em seus redutos históricos, incluindo o presidente do partido, Freeman Mbowe, deputado há 20 anos e líder da oposição parlamentar durante a última legislatura.

Também foi derrotada Halima Mdee, líder da divisão feminina do Chadema e crítica do presidente Magufuli. Ela foi detida por algumas horas no dia das eleições, depois de denunciar a descobertas de urnas repletas de "cédulas já marcadas" a favor de seu adversário do CCM em sua circunscrição.

John Magufuli, de 61 anos, conhecido como "Bulldôzer", parece ter assegurada uma reeleição tranquila para o segundo mandato. Ele já conta com a maioria absoluta em quase 160 circunscrições, cujos resultados foram anunciados pela Comissão Eleitoral (NEC).

Seu principal adversário, Tundu Lissu, um advogado de 52 anos, rejeitou na quinta-feira de maneira antecipada os resultados das eleições, que aconteceram na quarta-feira na parte continental e em Zanzibar. Juntos, estes dois territórios formam a República Unida da Tanzânia, de quase 58 milhões de habitantes.

"Isto não foi uma eleição, e sim a obra de um grupo que decidiu permanecer no poder custe o que custar", acusou Lissu, que chamou os resultados de "ilegítimos".

"A mudança democrática não é possível na Tanzânia", lamentou, denunciando uma "fraude eleitoral de alcance sem precedentes".

A embaixada dos Estados Unidos na Tanzânia citou "afirmações confiáveis sobre importantes fraudes e intimidações" em um comunicado publicado na quinta-feira. O texto afirma que "as irregularidades e as vitórias com diferenças consideráveis provocam sérias dúvidas sobre a credibilidade dos resultados anunciados".

A Tanzânia não autoriza recorrer à Justiça contra os resultados das eleições presidenciais - um procedimento possível para as legislativas.

Diante desse cenário, Lissu convocou seus partidários para manifestações "democráticas e pacíficas" e pediu o apoio da comunidade internacional. Até o momento, não foi observado nenhum movimento de protesto nas ruas.

strs-fb-ayv/fal/blb/bc/es/fp/tt