Presidente da United Airlines pede desculpas por caso de passageiro arrastado de avião

(Reuters) - O presidente-executivo da United Airlines, Oscar Muñoz, divulgou nesta terça-feira um pedido de desculpas pelo tratamento dispensado a um passageiro que foi retirado de seu assento e arrastado pelo corredor de uma aeronave da companhia, em meio uma onda de críticas ao redor do mundo contra a empresa.

"Desculpem. Vamos consertar isso", disse Muñoz em comunicado, um dia depois de defender a empresa em mensagem que não trouxe nenhum pedido de desculpas ao passageiro. Nesta terça-feira, com uma avalanche de críticas contra a empresa, o executivo mudou de posição.

"Eu peço profundas desculpas ao cliente que foi removido à força e a todos os clientes a bordo", disse o Muñoz no comunicado. "Ninguém deveria ser tratado desta forma", acrescentou.

Um vídeo que mostrou um homem com fisionomia asiática sendo retirado de seu assento no domingo à noite e arrastado pelo corredor da aeronave no voo 3411 da United gerou uma onda global de críticas contra a empresa.

A United não identificou o passageiro e a Reuters não conseguiu confirmar sua identidade.

Consumidores da China, um importante mercado para a companhia, defenderam um boicote contra a empresa. O incidente atraiu atenção de mais de 480 milhões de usuários do Weibo, rede social chinesa semelhante ao Twitter.

A United é responsável por cerca de 20 por cento do tráfego aéreo entre os EUA e a China e tem parceria com a Air China, a terceira maior companhia aérea chinesa, segundo analistas. A empresa voa para mais cidades chinesas que qualquer outra companhia aérea dos EUA. No ano passado, a United acrescentou voos sem escala de San Francisco para Hangzhou, quinto destino da empresa na China continental.

Autoridades nos Estados Unidos disseram que estão avaliando incidente.

As ações da United Continental Holdings chegaram a cair 4,4 por cento nesta terça-feira, mas recuperaram parte das perdas e encerraram em baixa de 1,1 por cento. Mais de 16 milhões de ações da United trocaram de dono na sessão, o maior volume em um único pregão em um ano.

Em seu pedido de desculpas, Muñoz afirmou ainda que a empresa vai promover uma revisão sobre temas como overbooking e relacionamento com autoridades aeroportuárias. Os resultados do processo serão divulgados até 30 de abril.

De acordo com Tyler Bridges, um passageiro que estava a bordo do voo de Chicago para Louisville, Kentucky, o homem que foi arrastado antes da decolagem disse repetidamente que estava sendo discriminado por ser chinês.

"Ele disse: sou médico, preciso ver pacientes", disse Bridges, um engenheiro civil de Louisville que registrou grande parte do incidente em seu telefone.

Nos Estados Unidos, a indignação nas mídias sociais continuou, o incidente sendo um dos mais citados no Twitter pelo segundo dia consecutivo. Muitos usuários promoveram hashtags #NewUnitedAirlinesMotto e #BoycottUnitedAirlines.

Esta é a segunda vez em menos de um mês que a United foi pega em uma tempestade nas mídias sociais. No final de março, a decisão de um agente da United no portão de recusar embarcar duas adolescentes usando leggings provocou uma reação viral.

(Por Alana Wise)

((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447753)) REUTERS AAJ RBS