Presidente de CPI da Covid diz que governo não se interessou em comprar vacinas

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CPI COVID
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  • Governo Bolsonaro negligenciou a compra de vacinas, afirmou o presidente da CPI da Covid, Omar Aziz

  • Culpar Jair Bolsonaro, para o senador, seria "prematuro", porém seus conselheiros devem ser responsabilizados

  • Aziz criticou o STF por ter permitido que o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, se cale na CPI

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), considera que, após a conclusão da segunda semana de depoimentos, já está provado que o governo Bolsonaro negligenciou inicialmente a compra de vacinas.

"Não houve nenhum interesse na compra da vacina no primeiro momento, apostou-se muito na imunização de rebanho e kit cloroquina, ivermectina. E hoje mesmo eu recebo uma matéria [sobre] um cara chamado Hélio Angotti Neto, chefe da área de ciência, tecnologia, inovação e insumos, no dia 27 de julho de 2020, defendendo a cloroquina. Esse cara vai ser chamado para depor. Isso é muito sério", afirmou Aziz em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, na última sexta-feira (14).

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Para o presidente da CPI, atribuir culpa ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) seria "prematuro", porém acredita que a maior parte dos erros cometidos pelo chefe do Executivo são consequência do mau aconselhamento, embora ele não possa usar esse fato para se eximir das responsabilidades.

"O governo errou desde o primeiro momento. Não apostou no isolamento, não apostou na máscara, no álcool em gel, na vacina, uma série de coisas que poderiam ter ajudado a salvar pessoas. E continuam apostando na cloroquina", disse.

Por outro lado, Aziz aponta que as pessoas que orientaram o chefe do Executivo devem também ser responsabilizadas.

"A carta endereçada pela Pfizer não foi só ao presidente. Mas muita gente do poder mesmo, do alto escalão do governo, recebeu essa carta e a gente não entende por que nenhum deles se prestou a dar uma ligada, mandar alguém procurar saber a oferta das vacinas. Isso foi em agosto, [então veio] setembro, outubro, novembro. Se tivéssemos feito isso em agosto, em dezembro nós teríamos começado a vacinar as pessoas", declarou

Aziz também criticou o STF (Supremo Tribunal Federal) por ter concedido habeas corpus para permitir que o general Eduardo Pazuello (ex-ministro da Saúde) se cale [ao falar sobre si próprio] durante o depoimento

"Não, é lógico que não [deveria ter concedido]. Acho que o ex-ministro Pazuello é a pessoa que pode nos dar mais informações, porque começou com ele. Veja bem, quando a Pfizer procura o Brasil, ele foi uma das pessoas que recebeu a carta. Por que não respondeu? Deram ordem pra ele não responder? É isso que queremos saber. Não era política do Ministério da Saúde adquirir vacina?", indagou.