Presidente do BC diz que “mercados estão sensíveis à questão fiscal” do novo governo

Presidente do BC diz que “mercados estão sensíveis à questão fiscal” do novo governo (Foto: Sergio LIMA / AFP)
Presidente do BC diz que “mercados estão sensíveis à questão fiscal” do novo governo (Foto: Sergio LIMA / AFP)
  • Roberto Campos Neto apontou que a recente reação negativa do mercado é devido a dúvidas no que diz respeito a àrea fiscal do novo governo;

  • Campos ainda pontuou que é preciso ter o ter "um olho" voltado para a questão social, mas também ter outro voltado para o equilíbrio das contas públicas;

  • Alguns analistas avaliam que o mercado reagiu mal às declarações do presidente eleito Lula nesta quinta-feira.

Durante um evento do Conselho Federal de Administração (CFA) Society Brazil ocorrido nesta sexta-feira(11), Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central (BC) apontou que a recente reação negativa do mercado é devido a dúvidas no que diz respeito a àrea fiscal do novo governo: “Eu acho que é muito devido a uma incerteza sobre o arcabouço fiscal do novo governo”.

“Os mercados estão sensíveis à questão fiscal, pois estão tentando entender como [o governo] vai pagar as dívidas da pandemia”, declarou Campos Neto. “A gente entende que teve um gasto grande, mas queremos saber como será o planejamento para atender o social e o fiscal”,acrescentou.

No decorrer de sua fala, Campos ainda pontuou que é preciso ter o ter "um olho" voltado para a questão social, mas também ter outro voltado para o equilíbrio das contas públicas.

"A gente precisa ter de um lado um olho para o social — e a gente entende que a pandemia deixou muitas cicatrizes —, mas precisa também ter um olho para o equilíbrio fiscal", declarou Campos Neto.

As declarações de Campos ocorrem após o presidente eleito Lula (PT) ter questionado, nesta quinta-feira (10): "Por que as pessoas são levadas a sofrer por conta de garantir a tal da estabilidade fiscal no país?"

Alguns analistas do mercado financeiro reagiram mal a essa declaração e, ao ser questionado sobre a repercussão negativa, Lula respondeu: "O mercado fica nervoso à toa. Eu nunca vi um mercado tão sensível como o nosso."

Campos defende que o Banco Central continue com uma postura ”cautelosa" frente à desaceleração da inflação no país e que a "luta contra a inflação é longa e árdua".

"A gente está bastante cauteloso com essa melhora da inflação, a gente tem olhado para os diversos elementos, achamos que a luta contra a inflação é uma luta longa e árdua e a gente precisa ainda perseverar", afirmou o presidente do BC.