Presidente e relator da CPI consideram pedido de impeachment uma tentativa de intimidar STF

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BRASÍLIA — Senadores protagonistas da CPI da Covid reagiram com dureza à iniciativa de Jair Bolsonaro em protocolar no Senado um pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Esse pedido foi protocolado no início dessa noite na Secretaria-Geral da Mesa. O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), condenou essa ação do presidente e afirmou se tratar de uma intimidação ao STF.

— É uma tentativa de intimidação do Supremo. É descabível e sem pé nem cabeça — disse Aziz, que completou: — Já pensou se todo mundo que recebe uma decisão contrária proferida por um ministro do STF decide entrar com pedido de impeachment do ministro que deu a decisão? Já pensou se essa moda pega?

Para o senador Renan Calheiros (MDB-AL), a atitude do presidente é um "ataque frontal" à independência dos Poderes.

— É um único e exemplar ataque à independência dos Poderes. É a primeira vez que ocorre um absurdo desses. Um ataque frontal à independência dos Poderes. Um pedido de impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) pessoal, assinado pelo presidente da República, o chefe do Executivo?! — afirmou Renan Calheiros ao GLOBO.

O presidente da República teria sido demovido da ideia de apresentar esse pedido. Perguntado se a ação da manhã desta sexta-feira da Polícia Federal, que fez buscas e apreensões contra bolsonaristas, motivou Bolsonaro a apresentar esse pedido de impeachment, Calheiros respondeu:

— Essas reações às fake news que matam vidas e instituições eram esperadas. Chegou a hora de os Poderes reagirem na defesa da Constituição — completou o senador.

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) afirmou que até já protocolou pedido de impeachment com Moraes, em 2019, mas disse que essa iniciativa de Bolsonaro será vista como subterfúgio para o presidente desviar a atenção dos casos que responde no STF.

— Vai ser lido (esse pedido de Bolsonaro) com a compreensão de que o presidente tenta desviar a atenção dos vários inquéritos que ele responde — disse Vieira.

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