Presidente eleito do Equador pede que adversário aceite derrota com 'dignidade'

Lenin Moreno em discurso de campanha em Quito

O presidente eleito do Equador, Lenín Moreno, exortou nesta quarta-feira o candidato opositor Guillermo Lasso, que denunciou fraude nas apurações, a aceitar sua derrota "com dignidade", afirmando que governará para todos os equatorianos.

"Em política, como nas outras atividades, é preciso saber ganhar com humildade. E peço ao candidato Lasso que perca com dignidade", declarou Moreno, do movimento governista Aliança País, em entrevista coletiva com jornalistas estrangeiros.

Segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), no segundo turno da votação, realizado no domingo, Moreno obteve 51,16% dos votos, contra 48,84% para Lasso, que não reconhece o resultado e exige a recontagem dos votos.

"A lei diz que se alguém não está de acordo com os resultados, tem o direito de impugnar, apresentando as provas correspondentes. Nós estamos tranquilos", declarou Moreno, de 64 anos, ao reprovar os "apelos à violência" da oposição, em referência aos protestos deflagrados a partir de domingo.

Lasso revelou nesta quarta-feira que "vamos exigir, amparados na lei e na Constituição, a recontagem dos votos, um a um, em todo território nacional...".

O candidato do movimento Criando Oportunidades (CREO) disse que assim que seu partido receber a notificação oficial do CNE com os resultados procederá com a impugnação, "que já está devidamente redigida".

"Houve um apagão informático durante o qual os cidadãos equatorianos foram enganados e agora necessitamos determinar os culpados e recuperar o que foi roubado: nossa democracia, nossos votos e nosso futuro", declarou Lasso

Já Moreno afirmou que será "o presidente de todos, incluindo da oposição", e prometeu "devolver aos equatorianos esta unidade um pouco fraturada, um pouco fissurada".

Sobre a influência do atual presidente, Rafael Correa, em seu futuro governo, Moreno respondeu que "como é um bom amigo, seguiremos conversando". "Quando ele exerceu o seu governo, fui extremamente respeitoso com ele, e por certo será respeitoso comigo. As decisões do próximo governo tomarei eu, aplicando o meu estilo, que volto a destacar: será um estilo diferente".

"Tenho algumas divergências em relação à liberdade de expressão com o presidente (Correa). Acredito que um presidente tem que (...) tolerar bastante mais e respeitar bastante mais o cidadão comum", declarou Moreno, que não pretende eliminar a atual e polêmica lei de comunicação.

O presidente eleito também sugeriu que ao final dos quatro anos de governo poderá abandonar a política:

"Depois deste período vou para o arquivo".