Presidente eleito do Peru recorre a todos os matizes políticos para formar seu governo

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O candidato presidencial Pedro Castillo discursa em Cusco, no Peru, 25 de junho de 2021

O presidente eleito do Peru, o esquerdista Pedro Castillo, deixou entrever nesta terça-feira (20) que seu governo será formado por figuras de diversos matizes políticos, em suas primeiras declarações à imprensa um dia após ser proclamado pelo juizado eleitoral.

"Estamos estruturando uma equipe de trabalho e vejo que há pessoas muito interessadas em contribuir no apoio a este governo, de todas as tendências políticas, pessoas que também não são políticos que vi hoje [e] que têm toda a disponibilidade", assegurou Castillo, que deve assumir as rédeas do país em mais oito dias.

"Estamos fazendo uma convocação a todos os técnicos, às pessoas mais distintas e comprometidas com o país" para que se somem à equipe do novo governo, disse Castillo a jornalistas ao sair do escritório de Registro Nacional de Identificação e Registro Civil (Reniec), no centro de Lima.

- Cumprimentos de Bolsonaro e Blinken -

O secretário de Estado americano, Anthony Blinken, cumprimentou Castillo nesta terça por sua vitória em eleições "livres e justas".

"Estamos ansiosos por trabalhar com a administração do presidente eleito Castillo para fortalecer a relação entre os Estados Unidos e o Peru e levar nossas nações a um futuro melhor", disse Blinken em um comunicado. Na segunda-feira, a embaixada americana em Lima tinha cumprimentado o presidente eleito.

Castillo também foi cumprimentado pelo presidente Jair Bolsonaro, que destacou sua vontade "para reforçar os laços de amizade e cooperação entre nossas nações", que compartilham 2.800 km de fronteira na Amazônia.

Dias após o segundo turno de 6 de junho no Peru, Bolsonaro tinha dito que "só um milagre" impediria a vitória de Castillo.

Enquanto isso, o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, expressou seu desejo de que Castillo "se saia muito bem" e anunciou que enviará a Lima seu chanceler, Marcelo Ebrard, à cerimônia de posse.

O professor de escola rural, que sempre usa um chapéu branco de copa alta típico dos camponeses de sua cidade natal, Cajamarca (norte), foi proclamado na segunda-feira presidente eleito do Peru seis semanas depois do disputado segundo turno de 6 de junho no qual enfrentou a direitista Keiko Fujimori.

A demora em sua proclamação se deveu a que o juizado eleitoral precisou resolver primeiro as impugnações de milhares de votos e dezenas de apelações apresentadas por Fujimori.

A governabilidade é um dos grandes desafios de Castillo, após uma campanha eleitoral polarizada e as convulsões políticas do último quinquênio, que levaram o país andino a ter três presidentes em novembro de 2020.

- "Responsabilidade de todos" -

"Peço tranquilidade, serenidade ao povo peruano. Esta é uma responsabilidade não só do governo, é uma responsabilidade de todos os peruanos", disse Castillo em uma alusão tácita a seus adversários na saída de uma agência do Reniec próxima ao cinquentenário Convento de São Francisco.

"Pedro foi fazer um trâmite pessoal [no Reniec], foi tirar seu DNI” (Documento Nacional de Identidade), explicou à AFP um porta-voz de sua equipe.

Castillo, de 51 anos, que deve anunciar a qualquer momento os nomes de seu chefe de gabinete e ministros-chave, recebeu nesta terça-feira a saudação da organização da cúpula empresarial, Confiep.

"Reiteramos nossa disposição ao diálogo construtivo para alcançar um crescimento inclusivo para todos", tuitou a Confiep.

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