Presidente do Equador anuncia redução de preço de combustíveis, mas não satisfaz manifestantes

O presidente do Equador, Guillermo Lasso, anunciou na noite de domingo uma redução nos preços dos combustíveis, em uma tentativa de apaziguar as manifestações indígenas que abalam o país há duas semanas. As reduções anunciadas, no entanto, não atenderam às reivindicações dos manifestantes, que protestam contra o alto custo de vida no país.

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Lasso anunciou uma redução de 10 centavos de dólar por galão, o que deixa o preço do diesel em US$ 1,80 e o da gasolina comum em US$ 2,45, representando uma redução de 5,3% e 4%, respectivamente. Os indígenas reivindicam os valores de US$ 1,50 para o galão do diesel e US$ 2,10 para o da gasolina. O dólar é a moeda corrente no Equador desde o ano 2000.

A Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), liderada por Leonidas Iza, classificou a medida como “insuficiente e insensível”. A decisão do Executivo “não se solidariza com a situação de pobreza enfrentada por milhões de famílias”, afirmou a Conaie em comunicado, acrescentando que a “a luta não para” e que os protestos ainda continuarão. A entidade ainda avalia a possibilidade de aceitar negociações com o chefe do Executivo.

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Os bloqueios nas estradas e a ocupação de mais de mil poços deixaram o setor de petróleo, principal item de exportação do Equador, em crise. Se os protestos continuarem, o país pode parar de produzir petróleo nesta terça-feira, segundo o governo.

Até agora, ao menos cinco pessoas morreram nas manifestações, segundo a Conaie e organizações de direitos humanos, e 143 foram detidas, de acordo com o governo. Há também seis pessoas desaparecidas, de acordo com os manifestantes, enquanto o governo fala em 18 policiais retidos por manifestantes.

Votação adiada

Em meio aos protestos, o Congresso começou a debater uma proposta de impeachment do conservador Lasso, que está no poder há um ano. A proposta foi apresentada pelo partido União pela Esperança, do ex-presidente Rafael Correa. Depois de sete horas de deliberações no domingo, no entanto, a votação foi adiada para amanhã.

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A destituição do presidente precisa de 92 dos 137 votos possíveis na Assembleia Nacional, onde a oposição tem maioria, mas está fragmentada. Se aprovada, quem assume será o vice-presidente Alfredo Borrero e novas eleições presidenciais e legislativas serão convocadas.

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Na sexta, em pronunciamento pela TV, Lasso chamou os protestos de tentativa de golpe. O presidente tem hesitado entre negociar com os manifestantes e aumentar a repressão. Na semana passada, ele impôs estado de emergência em seis das 24 províncias do país e ordenou que militares ocupassem a Casa de Cultura do Equador, em Quito, que tradicionalmente abriga representantes dos indígenas que viajam à capital.

Na sexta-feira, a Casa de Cultura foi desocupada, mas houve novos choques com manifestantes quando parte deles tentou invadir a sede do Legislativo.

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