Presidente do Equador confirma saída de vice por caso Odebrecht

Foto de arquivo de 13 de outubro de 2017 do vice-presidente equatoriano Jorge Glas, fotografado durante entrevista coletiva à AFP

O presidente do Equador, Lenin Moreno, confirmou nesta quarta-feira (3), que seu vice-presidente, Jorge Glas, perdeu o cargo a partir de sua prisão, há três meses, por receber propina da Odebrecht.

"De acordo com o que diz a Constituição, o senhor vice-presidente da República, Joge Glas, deixou suas funções", disse Moreno à imprensa na casa de governo, acrescentando que a lei dá a ele 15 dias para apresentar ao Parlamento um trio de candidatos para eleger um sucessor.

"Vou demorar bastante menos porque um país não pode passar sem um vice-presidente", afirmou o presidente, eleito junto com Glas para um mandato de quatro anos.

"Estamos pedindo as certificações" a organismos competentes para "verificar que estamos atuando dentro do correto" para apresentar o trio, assinalou o chefe de Estado.

Glas, que ocupava a vice-presidência do Equador desde 2013, perdeu o cargo à meia-noite de terça-feira diante da "falta definitiva" (por mais de três meses) no exercício do cargo, segundo prevê a Constituição.

Com 48 anos e que também ocupava a direção de setores estratégicos no governo do ex-presidente Rafael Correa (2007-2017), Glas se converteu no funcionário na ativa de mais alto cargo condenado pelo megaescândalo de corrupção da Odebrecht na América Latina.

Foi sentenciado em dezembro a seis anos de prisão por receber 13,5 milhões de dólares em propinas.

O agora ex-vice-presidente permanece em uma prisão de Quito desde 2 de outubro passado pelo escândalo de corrupção da Odebrecht, à espera da notificação por escrito da sentença para poder apelar.

A Carta Magna estabelece que em caso de falta definitiva do vice-presidente, o Congresso - no qual o majoritário bloco governista está dividido por uma briga de poder - escolherá seu substituto com o voto da maioria (69 dos 137 deputados) entre os três nomes apresentados pelo presidente.

Se o Parlamento, que também tramita um pedido de julgamento político contra Glas por parte da oposição e apoiado por deputados da ala morenista, não se pronunciar em 30 dias, será entendido como escolhido o primeiro da lista.