'Presidente está pensando, sim, em substituição e avaliando nomes', diz Pazuello sobre futuro no cargo

Rafael Barifouse - Da BBC News Brasil em São Paulo
·3 minuto de leitura
Pazuello em coletiva
Pazuello é o terceiro a comandar o Ministério da Saúde desde o início da pandemia

O ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello, confirmou na segunda-feira (15/3) que pode deixar o comando da pasta em breve.

"O presidente está pensando, sim, em substituição e avaliando nomes", afirmou Pazuello em entrevista coletiva.

Ele esclareceu que Jair Bolsonaro (sem partido) está promovendo uma "reorganização" do ministério. "Enquanto isso não for definido, a vida segue normal. Não vamos parar nem um minuto", disse o general de três estrelas.

Nos últimos dias, vem crescendo a especulação em torno de uma possível troca no cargo. No domingo, foi noticiado que Bolsonaro havia decidido mudar seu ministro da Saúde pela quarta vez desde o início da pandemia.

Pazuello assumiu a pasta interinamente em maio do ano passado e foi confirmado no cargo em setembro. Ele é um militar da ativa e comandava então a 12ª Região Militar da Amazônia, em Manaus (AM).

O general assumiu após o oncologista Nelson Teich deixar o cargo, por divergências com o presidente sobre as medidas de combate à pandemia.

O mesmo motivo provocou a saída do ortopedista e ex-deputado federal Henrique Mandetta (MDB-MS) antes de Teich.

Entre domingo e segunda, Bolsonaro se encontrou com uma possível substituta de Pazuello, a cardiologista Ludhmila Hajjar.

O próprio general disse ter participado da reunião com a médica, que tratou de Pazuello quando ele teve covid-19 e teria sido indicada por ele.

Mas Hajjar já disse que não assumirá, porque não houve "convergência técnica" com Bolsonaro — ela já se manifestou contra a cloroquina e a favor do isolamento social, posições opostas às do presidente.

Com isso, especula-se na imprensa que os cardiologistas Marcelo Queiroga e José Antonio Franchini Ramires e o deputado federal Doutor Luizinho (PP-RJ) sejam agora os mais cotados para o cargo.

'Não pedi pra sair'

Pazuello em coletiva
Ministro disse que não está doente nem quer deixar o cargo

Seja que for que o substitua, Pazuello deixou claro que isso não vai acontecer por questão de saúde, como chegou a ser especulado, ou por vontade própria.

"Não estou doente. Não pedi para sair", afirmou o ministro. "Pedir para ir embora não é da minha característica. Isso não é uma brincadeira, isso é sério. Não pedi nem vou pedir (para ir embora)."

Também garantiu que, se isso ocorrer, não haverá um prejuízo às atividades do ministério.

"É continuidade, não há rompimento. Vocês estão acostumados com político largar a caneta e ir embora, nós não somos assim, faremos uma transição correta", afirmou.

Durante a coletiva, Pazuello defendeu sua gestão no ministério, dizendo que, ao assumir, fez reestruturações internas para obter resultados mais rápido e conferiu transparência a todas as medidas tomadas.

Também afirmou que perseguiu quatro estratégias principais — reforço à atenção primária de saúde, abertura de leitos, a vacinação em massa e o fortalecimento da testagem — embora sua atuação à frente da pasta seja muito criticada nestes mesmos pontos.

O ministro também fez uma longa apresentação das vacinas compradas até agora, o que já foi entregue e o calendário previsto até o final do ano.

Mas negou que a coletiva tivesse sido convocada para fazer um apanhado de tudo que ele havia realizado à frente da pasta.

"Isso aqui é uma coletiva planejada, (para) colocar todos a par do que estamos fazendo. Eu só mantive o que estava planejado", afirmou o general.

Pazuello reforçou ainda que se ele será trocado ou não é algo que cabe a Bolsonaro decidir.

"O cargo é do presidente da República. Existe essa possibilidade desde o dia em que entrei", disse.

Mas a aparente indefinição sobre seu futuro fez o ministro se atrapalhar com as palavras durante suas considerações finais na coletiva.

"Tenho muito orgulho de estar na função… de ter estado e estar nesta função", disse Pazuello, para em seguida emendar que não estava se despedindo.

"Quando tiver que me despedir, me despedirei oficialmente. Espero ter sido claro sobre este assunto."

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