Presidente francês defende iniciativas comuns com Rússia

Por Jérôme RIVET, Marina KORENEVA
Vladimir Putin e Emmanuel Macron

O presidente da França, Emmanuel Macron, chegou à Rússia nesta quinta-feira (24) para trabalhar com Vladimir Putin para criar "iniciativas conjuntas" sobre a questão nuclear iraniana, a Síria e a Ucrânia, apesar do clima de tensão persistente entre Moscou e o Ocidente.

Um ano depois de um primeiro encontro em Versalhes, o presidente russo recebeu Emmanuel Macron e sua mulher, Brigitte, a quem ofereceu um buquê de flores no terraço do luxuoso Palácio Constantine, com vista para o Golfo da Finlândia, ao sudoeste da antiga capital imperial de São Petersburgo.

Agendada para dois dias, a primeira visita de Macron à Rússia ocorre por ocasião do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo, a principal reunião da comunidade empresarial russa, onde o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, também é esperado.

Deve permitir ao presidente francês, acompanhado de uma grande delegação de empresários, mostrar sua disposição de continuar negociando com a Rússia, apesar das relações tensas, mas também de não evitar as questões divergentes.

"Seja na Ucrânia, no Oriente Médio, na crise iraniana e na Síria, seja no modo como vemos o multilateralismo contemporâneo, acho que precisamos trabalhar para tomar iniciativas conjuntas", declarou Macron no início da reunião.

"Nossas relações estão se desenvolvendo, apesar das dificuldades", ressaltou Putin, acrescentando que pretende tratar "questões internacionais importantes, cuja solução é do interesse da França e da Rússia".

Os temas são diversos. Depois de anos de tensão em razão da crise ucraniana e do conflito sírio, o envenenamento de um ex-espião russo na Inglaterra, em março, provocou uma onda de expulsões de diplomatas.

Diante dos muitos assuntos em que há diferenças, um ponto de convergência emergiu com a retirada dos Estados Unidos do acordo sobre o programa nuclear iraniano, acompanhado por ameaças de sanções americanas, se Teerã não cumprir uma lista de exigências draconianas para um novo acordo.

Moscou e os europeus parecem, neste ponto, estar na mesma linha. Os dois querem preservar o acordo iraniano.

Ao participar do principal encontro dos círculos econômicos russos, o presidente francês também quer mostrar que a França, que permanece como uma das principais fontes de investimento estrangeiro na Rússia nos últimos anos, apesar das sanções, quer continuar fazendo negócios no país.

Ao lado de Putin, Macron falará nesta sexta-feira à tarde à Gotha econômica russa presente no Fórum, acompanhado por uma grande delegação de empresários franceses.

Em sua chegada, o presidente francês anunciou imediatamente que a assinatura de 50 contratos estava prevista durante sua visita.

A ONG Human Rights Watch instou Macron a falar sobre os direitos humanos com Vladimir Putin, "caso contrário ele se trairia".

Três semanas antes do início da Copa do Mundo de Futebol, que será realizada de 14 de junho a 15 de julho em 11 cidades russas, a ONG pediu um boicote à cerimônia de abertura por causa do apoio do Exército russo a Bashar al-Assad.