Presidente francês se diz pronto a melhorar reforma da Previdência

Por Gabriel BOUROVITCH

No 14º dia de uma greve que ameaça atrapalhar as festas de final de ano, o presidente francês Emmanuel Macron disse que está pronto para melhorar o projeto de reforma previdenciária, no centro de novas discussões nesta quarta-feira.

Macron "não abandonará o projeto, mas está pronto para melhorá-lo, através de discussões com os sindicatos", explicou a presidência, sugerindo "progressos até o final da semana".

No dia seguinte ao terceiro dia de manifestações, os líderes sindicais e patronais se reúnem nesta quarta-feira com o primeiro-ministro Edouard Philippe e o novo responsável pela reforma do governo, Laurent Pietraszewski.

Objetivo: encontrar uma saída para a crise que paralisa amplamente o transporte público, especialmente na região de Paris, desde 5 de dezembro.

Segundo a presidência, Macron tentará "obter uma trégua" da mobilização durante as festas de final de ano, que tradicionalmente movimentam as viagens das famílias.

Os sindicatos à frente da contestação até agora afirmaram sua intenção de continuar o movimento, mesmo durante o período de festas, que começa na sexta-feira.

O compromisso pretendido por Macron envolveria "uma possível melhoria em torno da idade de equilíbrio", atualmente planejada em 64 anos a partir de 2027, a fim de equilibrar o sistema financeiramente.

Os assalariados que se aposentarem antes dessa idade sofrerão um desconto, enquanto aqueles que saírem mais tarde receberão um "bônus".

Foi o anúncio dessa medida "inaceitável" que fez o CFDT - o maior sindicato francês, considerado "reformista" - passar para o campo dos opositores a um projeto que apoiou em princípio.

"Para o CFDT, está claro: não queremos isso", reiterou seu líder Laurent Berger.

Edouard Philippe receberá na quinta-feira os líderes da RATP (transporte parisiense) e da SNCF (trens).

O tempo está acabando. Locomover-se continua a ser um desafio nesta quarta-feira, especialmente na região de Paris. Oito linhas de metrô permanecem fechadas, e apenas um em cada três ou quatro trens circula pelo país.

Se a maioria dos franceses apóia o movimento, segundo pesquisas, muitos usuários do transporte público expressaram seu cansaço.

"Desde o primeiro dia da greve, em 5 de dezembro, saio às 04h00 para evitar engarrafamentos e à noite chego em casa por volta das 21h30. Começo a ficar cansado", disse à AFP François.

Diante da supressão da maioria dos trens de sua linha, esse professor que mora em Marselha (sudeste) tem ido de carro ao trabalho em Nîmes, a 120 quilômetros de distância.

O dia de mobilização de terça-feira foi "um sucesso retumbante", estimou Philippe Martinez, líder do sindicato CGT, à frente da contestação. Segundo as autoridades, os manifestantes somaram 615.000 em todo o país, 1,8 milhão de acordo com o CGT.

A Previdência é um assunto sensível na França, onde a população é apegada a um sistema considerado um dos mais protetores do mundo.

Os críticos do projeto contam com a impopularidade relativa do presidente Macron para sair vitoriosos do conflito e em um contexto social tenso, com a mobilização há mais de um ano dos "coletes amarelos", mas também com o descontentamento na saúde pública, educação, polícia e agricultores.