Presidente do Grupo Carrefour se manifesta sobre morte e pede revisão de treinamento de funcionários

O Globo
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RIO — O presidente do Grupo Carrefour, Alexandre Bompard, se manifestou sobre o assassinato de João Alberto Silveira de Freitas, negro de 40 anos, dentro de uma filial da rede varejista, em Porto Alegre (RS).

Em um post publicado no início da noite de sexta-feira, em sua conta no Twitter, o executivo francês disse que vai pedir a revisão de treinamento de funcionários e terceiros "no que diz respeito à segurança, respeito à diversidade e dos valores de respeito e repúdio.à intolerância.

Abílio Diniz, terceiro maior acionista do Carrefour Global (dono de 10% das ações com direito a voto) e integrante do conselho de administração da empresa na França, também se manifestou sobre a morte de Freitas, informou Lauro Jardim em seu blog no GLOBO. Em quatro tuítes que postou em sua conta, Abílio se disse "profundamente triste e indignado", completando que "foi uma enorme brutalidade".

João Alberto de Freitas, conhecido como Beto Freitas, foi espancado até a morte por seguranças brancos na saída da filial do Carrefour, no bairro Passo D'Areia, na capital gaúcha. A agressão ocorreu na quinta-feira, após João Alberto se desentender com uma funcionária do estabelecimento, onde fazia compras com a mulher, Milena Borges Alves.

O assassinato de João Alberto provocou protestos pelo país na sexta-feira, Dia da Consciência Negra. O sentimento de revolta motivou manifestações em diversas capitais . Em alguns casos, atos que começaram pacíficos terminaram com invasão de lojas e depredações, além de empurra-empurra, saques e confronto com a polícia.


O Grupo Carrefour Brasil anunciou que romperá o contrato com a empresa responsável pelos seguranças, além de demitir o funcionário responsável pela loja na hora do ocorrido. Entretanto, Bompard disse que estas medidas são insuficientes.

"Meus valores e os valores do Carrefour não compactuam com racismo e violência", tuitou o executivo, que, na rede social, chamou as imagens do assassinato como "insuportáveis".

Bompard acrescentou que pediu às equipes do Grupo Carrefour Brasil total colaboração com a Justiça e autoridades para que "os fatos deste ato horrível sejam trazidos à luz".

O executivo francês disse ainda que espera que o Carrefour Brasil se comprometa à revisão completa das ações de treinamento dos colaboradores e de terceiros, que terá um plano de ação definido com o suporte de empresas externas para garantir a independência deste trabalho.

Como presidente, Bompard está acima dos comandos locais nas subsidiárias, portanto, tem o poder de determinar e cobrar certas ações nas empresas do grupo.