Alto custo de funerais leva britânicos a enterrar parentes no jardim

Londres, 9 dez (EFE).- O aumento do custo dos serviços funerários no Reino Unido está levando alguns britânicos a contrair altas dívidas e inclusive enterrar seus familiares no jardim de casa para economizar, afirmou nesta terça-feira no parlamento a deputada trabalhista Emma Lewell-Buck.

A deputada afirmou que está surgindo uma "pobreza funerária" e apresentou na câmara dos Comuns um projeto de lei que prevê um aumento da ajuda do governo para as famílias com menos recursos enterrarem seus entes queridos.

O aumento dos custos dos funerais, que acumularam uma inflação de 87% desde 2004, está fazendo com que cada vez mais pessoas realizem cerimônias no estilo "do it yourself" (faça você mesmo) para economizar custos, explicou a deputada.

"Além de crescentes dívidas, vemos como há pessoas que optam por alternativas ao funeral tradicional. Alguns realizam seus próprios funerais e inclusive têm que enterrar parentes no jardim de suas casas", afirmou.

Segundo Lewell-Buck, o encarecimento dos serviços funerários, ao lado da insuficiência da ajuda governamental, deixa "um serviço básico fora do alcance de muitas famílias".

Seu projeto de lei, que tem caráter particular e não pode ser aprovado sem o apoio do governo e do parlamento, contempla uma revisão dos custos e das agências funerárias para assim oferecer enterros mais simples e acessíveis.

"A perda de um ser querido pode ser uma das experiências mais devastadoras que enfrentamos na vida. Queremos lhes dar uma boa despedida", argumentou Lewell-Buck.

A deputada disse ainda que o assunto dos custos funerários é um "tema tabu", por isso ninguém se ocupou até agora do assunto.

O preço de um funeral "supera a inflação e pode chegar a sete mil libras (R$ 28 mil) em algumas zonas. O preço médio de um funeral é de 3.551 libras (R$ 14 mil)", explicou.

Esta situação faz com que "muitas famílias recorram a empréstimos para pagar um funeral e, como resultado, contraem em uma dívida financeira grave", acrescentou.

O projeto de lei de Serviços Funerários apresentado pela deputada trabalhista voltará a ser debatido em outra sessão parlamentar, mas é pouco provável que prospere devido à falta de tempo nesta legislatura, que termina em maio. EFE