Presidente Hernández declarado vencedor nas eleições em Honduras

O predidente hondurenho Juan Orlando Hernández discursa em Tegucigalpa em 6 de dezembro

O presidente Juan Orlando Hernández foi declarado oficialmente como vencedor na polêmica eleição em Honduras e, ao mesmo tempo, a oposição anunciou a retomada dos protestos.

"O presidente reeleito para o quadriênio 2018-2022 é o cidadão Juan Orlando Hernández Alvarado", afirmou o presidente do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), David Matamoros, três semanas após a votação, que provocou uma polêmica apuração.

O anúncio aconteceu poucas horas depois da viagem do candidato da Aliança Opositora contra a Ditadura, Salvador Nasralla, a Washington para apresentar argumentos sobre a suposta fraude eleitoral à Organização dos Estados Americanos (OEA) e ao Departamento de Estado americano.

O coordenador da aliança de oposição, o ex-presidente Manuel Zelaya, rejeitou a proclamação de Hernández como vencedor.

"Rejeitamos absolutamente a declaração do Tribunal Supremo Eleitoral e não reconhecemos qualquer ato porque o povo reconhece Salvador Nasralla como presidente", declarou Zelaya.

Zelaya pediu às Forças Armadas e à polícia que aceitem Nasralla como presidente eleito.

"Esta eleição tem que ser anulada. Esta eleição é nula e não vamos respeitá-la", insistiu o ex-presidente, derrubado por um golpe de Estado em 2009.

Um dia antes do anúncio, a irmã do presidente, Hilda Hernández, morreu em um acidente com um helicóptero militar no qual viajava perto da região de Tegucigalpa, o que explica a falta de comemoração no domingo na sede do governante Partido Nacional (PN), que apoiou a reeleição do presidente.

Juan Orlando Hernández, de 49 anos, candidato pelo PN, recebeu 42,95% dos votos, contra 41,24% de Nasralla, um popular apresentador de televisão de 64 anos, de acordo com os dados apresentados no domingo pelo TSE.

"Foram eleições com uma transparência nunca vista em Honduras. Desejamos a paz e que voltemos a nos abraçar como irmão", disse Matamoros.

As dúvidas sobre os resultados surgiram porque após a apuração de 57% dos votos, Nasralla aparecia com cinco pontos de vantagem. Nos dias seguintes, no entanto, após uma série de interrupções no sistema de apuração do TSE, Hernández assumiu a liderança e a manteve até o fim da contagem dos votos.

A mudança provocou a revolta dos simpatizantes da oposição, que saíram às ruas para protestar, em manifestações reprimidas pelas forças de segurança.

Nasralla afirmou que 20 pessoas morreram nos protestos, mas o número não foi confirmado pelas autoridades.

Contigentes policiais e militares tentavam retirar as barricadas colocadas pelos opositores em diferentes zonas do país em protesto o resultado final das eleições.

O vice-diretor da missão de observadores da União Europeia (UE), Antonio de Gabriel, afirmou que aliança opositora entregou cópias de mais de 14.000 atas de apuração e que os resultados coincidem com os que foram publicados pelo TSE.

O secretário-geral da OEA, Luis Almagro, recomendou que o "único caminho possível para que o vencedor seja o povo de Honduras é uma nova convocação de eleições gerais".