Presidente de Honduras nega acusações de tráfico de drogas

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O presidente hondurenho, Juan Orlando Hernández, durante uma entrevista à AFP no palácio presidencial em Tegucigalpa, em 29 de janeiro de 2021.

O presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, afirmou nesta quarta-feira (10) que são falsas as acusações de tráfico de drogas que um promotor lhe imputou durante um julgamento nos Estados Unidos, onde um suposto sócio do político está sendo processado.

“Como acreditar em falsos testemunhos [de] que eu negociava com traficantes de drogas?”, escreveu Hernández no Twitter, onde assegurou que os traficantes usam as acusações contra ele como uma “chave mágica” para não morrerem em uma “prisão estrangeira”.

As acusações contra o presidente foram feitas na Justiça Federal de Manhattan, em Nova York, durante o julgamento de Geovanny Fuentes, suposto narcotraficante hondurenho que, segundo promotores, era sócio do presidente Hernández no milionário esquema de narcotráfico.

O promotor Jacob Gutwillig disse ao júri que o líder hondurenho e Fuentes "planejavam enviar aos Estados Unidos o máximo de cocaína possível".

Hernández, um advogado que assumiu a presidência em 2014 e está em seu segundo mandato, nega as acusações e se apresenta como um campeão da luta contra o narcotráfico.

Os promotores encarregados do caso o consideram um participante na "conspiração" de Fuentes, mas ele não foi indiciado na Justiça.

O promotor Gutwillig disse que em 2013 e 2014, Fuentes pagou subornos de "25 mil dólares do dinheiro das drogas" ao atual presidente, em troca de proteção.

No Twitter, Hernández não abordou diretamente o caso Fuentes. Ele aludiu a outra gangue, Los Cachiros, que testemunhou no tribunal contra seu irmão, Juan Antonio "Tony" Hernández, em uma negociação com promotores em troca de sentenças mais baixas.

"Tony", detido nos Estados Unidos, foi declarado culpado por tráfico de drogas "em grande escala" em 2019. Ele pode ser condenado a uma pena máxima de prisão perpétua.

“Os falsos testemunhos dos narcotraficantes são mentiras óbvias. Os narcotraficantes dão sua 'palavra juramentada', de que por 25 mil dólares compraram impunidade total. Mas dez dias após minha eleição (2013, para o primeiro mandato), os Cachiros decidiram abandonar seu império de um bilhão e negociar sua rendição aos EUA ", escreveu o presidente.

Em seu depoimento contra "Tony", o líder do cartel "Los Cachiros", Devis Leonel Rivera Maradiaga, vinculou o presidente ao crime.

Rivera garantiu que recebeu milhões de dólares em propinas de traficantes de drogas, incluindo o mexicano Joaquín "El Chapo" Guzmán, em troca de proteção para seus carregamentos de cocaína para os Estados Unidos.

Leonel Rivera também testemunhou nesta quarta-feira em Nova York.

Ele compareceu ao tribunal vestindo uniforme de detento, com os pés acorrentados e afirmou ao júri que assassinou 78 pessoas e que foi sócio de Geovanny Fuentes, até que os dois brigaram e ele tentou matá-lo.

“O réu queria trabalhar comigo armazenando cargas de cocaína, transportando-as (...) e dando-lhes custódia, dando-lhes segurança”, disse Rivera, que enfrenta uma sentença de prisão perpétua que espera ver reduzida em troca de seu testemunho em juízo.

Rivera contou que se encontrou com Fuentes pela primeira vez em um posto de gasolina de sua propriedade em Honduras, e que lá ele lhe disse: “Olha primo, tenho bons contatos em Honduras, com a Polícia Militar, com a Polícia Preventiva (.. .) Eu posso guardar a cocaína que chega de um lugar para outro".

Rivera colaborou com a Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA) por dois anos até se entregar às autoridades dos Estados Unidos em 2015.

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