Presidente do IBGE pede demissão após corte orçamentário inviabilizar censo em 2021

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Homem caminha perto do Congresso Nacional

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Um dia depois de o Congresso aprovar o Orçamento de 2021 com um corte brutal de recursos para o censo demográfico que estava previsto para ser realizado este ano, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que a presidente do órgão pediu demissão do cargo.

“O IBGE informa que Susana Cordeiro Guerra pediu exoneração do cargo de presidente do órgão por motivos pessoais e de família”, disse o órgão em nota. "Ela continuará no cargo até a transição para o novo presidente a ser indicado."

O censo deveria ter sido realizado em 2020 pelo IBGE, mas foi adiado para este ano por causa da pandemia da Covid-19. A lei orçamentária, no entanto, cortou a previsão de despesa com o pesquisa nacional a apenas 72 milhões de reais, de uma proposta inicial do governo de cerca de 2 bilhões de reais --que já representava uma diminuição do pedido original do IBGE por 3 bilhões de reais.

Em artigo publicado em jornal no início desta semana, Guerra e o diretor de pesquisas do IBGE, Eduardo Rio-Neto, fizeram um apelo aos parlamentares da Comissão Mista de Orçamento --responsável por votar o parecer do projeto orçamentário antes do plenário do Congresso-- pela preservação do orçamento do censo, dizendo que o corte ameaçava a realização da pesquisa.

"Sem o Censo em 2021, as ações governamentais pós-pandemia serão fragilizadas pela ausência das informações que alicerçam as políticas públicas com impactos no território brasileiro, particularmente em seus municípios", escreveram.

Procurada pela Reuters nesta sexta-feira, Guerra não quis comentar sua saída do governo. Ela foi indicada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Procurada, a assessoria do ministério também não comentou o pedido de demissão.

O censo faz uma radiografia do país e ajuda na formulação de políticas públicas, além de contribuir com parâmetros para a transferência de recursos da União aos fundos de participação dos Estados e dos municípios (FPM e FPE).

Internamente, havia uma preocupação de servidores do IBGE em realizar o censo este ano por conta do agravamento da pandemia. Algumas regionais já pleiteavam um novo adiamento para 2022 de forma que a coleta de dados em milhões de domicílios pudesse de feita de forma mais segura.

(Por Rodrigo Viga Gaier)