Presidente do Inep pede demissão e órgão passa pela 5ª mudança sob Bolsonaro

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro da Educação, Victor Godoy, anunciou nesta quarta-feira (27) a quinta troca no comando do órgão responsável pelo Enem durante o governo Jair Bolsonaro (PL). Danilo Dupas Ribeiro pediu demissão, segundo publicação do ministro.

Dupas estava no cargo desde fevereiro de 2021, e havia sido levado ao cargo pelo ex-ministro Milton Ribeiro, de quem é próximo. Nas redes sociais, Godoy afirmou que a saída de Danilo Dupas ocorreu por "motivos pessoais e a pedido".

Além de organizar o Enem, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) é responsável pelas avaliações federais da educação básica e ensino superior, entre outras funções. Quem assume a presidência é Carlos Eduardo Moreno Sampaio, um dos servidores mais experientes da autarquia e que respondia pela diretoria de Estatísticas Educacionais.

Moreno será o novo presidente do Inep a partir de 1º de agosto. Ele é servidor de carreira há quase 40 anos, e tem profundo conhecimento das estatísticas educacionais produzidas pelo órgão.

A gestão de Dupas Ribeiro foi marcada por uma avalanche de críticas internas sobre sua conduta à frente do órgão. No ano passado, houve debandada de servidores de cargos de chefia sob acusações de "fragilidade técnica e administrativa da atual gestão máxima do Inep".

Também houve denúncias de assédio moral contra servidores. Além disso, a gestão de Dupas Ribeiro esteve envolvida em movimentações para interferir ideologicamente no conteúdo do Enem.

No meio do ano passado, o jornal Folha de S.Paulo revelou que o Inep tinha pronta uma minuta de uma portaria para estabelecer uma espécie de um tribunal ideológico no exame, com a criação de uma nova instância de análise dos itens das avaliações da educação básica. O documento fala em não permitir "questões subjetivas" e atenção a "valores morais".

Antes de Dupas, foram nomeados para o cargo no atual governo Alexandre Lopes, Marcus Vinícius Rodrigues e Elmer Vicenzi. Já Maria Inês Fini, que ocupava o cargo desde o governo Temer, foi exonerada no começo de janeiro de 2019.

Sob o governo Bolsonaro, o Ministério da Educação passou por uma sucessão de turbulências, com troca de ministros, polêmicas públicas e casos de corrupção. O ex-ministro Milton Ribeiro chegou a ser preso no âmbito das denúncias de um balcão de negócios na pasta.

Antes de assumir o Inep, Danilo Dupas foi de uma secretaria do MEC e esteve envolvido em um movimento de Milton Ribeiro para atuar em benefício de uma instituição privada e presbiteriana que teria fraudado uma avaliação federal.

Integrantes do governo relataram à reportagem preocupação com a proximidade do Enem, marcado para novembro. A realização da prova é cercada de grande complexidade.

Mas a indicação de Moreno foi comemorada por servidores do instituto já nesta quarta. Tanto pelo fim da gestão de Dupas, amplamente reprovada pela equipe técnica (até processos básicos de renovação de contratos atrasaram sob sua gestão), quanto pela escolha do novo presidente.

Moreno é o primeiro presidente do Inep no governo Bolsonaro ligado ao tema. Todos os outros gestores escolhidos pelo governo Bolsonaro não eram da área de avaliação e até mesmo de educação, como nos casos de Alexandre Lopes e Elmer Vicenzi —este último é policial.

O novo presidente foi aplaudido pelos corredores do Inep e também em um breve encontro no auditório do órgão. Dupas Ribeiro teria proibido, entretanto, que Moreno reunisse as equipes enquanto a nomeação não se concretiza.

A Assinep (Associação de Servidores do Inep) divulgou nota em que comemora a escolha. A entidade bateu de frente com a gestão de Dupas, denunciando processo de assédio e falta de rumos do instituto.

"Os servidores do Inep confiam que nosso colega possui plena capacidade para dar continuidade às atividades estratégicas do Instituto e informam que Moreno contará com nosso amplo apoio para fazermos todas as entregas que a Sociedade brasileira necessita", diz nota da associação.

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