Presidente interino do Sri Lanka diz que antecessor 'escondeu fatos' sobre crise

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente interino do Sri Lanka, Ranil Wickremesinghe, disse nesta segunda-feira (18) que a administração anterior, da qual era aliado, estava "escondendo fatos" sobre a crise econômica que assola o país há dois anos. Na semana passada, em meio protestos furiosos que incluíram a ocupação de residências oficiais, o presidente Gotabaya Rajapaksa renunciou após fugir para Singapura.

Em sua primeira entrevista desde que assumiu oficialmente como interino, Wickremesinghe disse à rede americana CNN que Rajapaksa não contou a verdade sobre a atual situação financeira do país, que se encontra, nas palavras dele, falido.

"Eu gostaria de dizer ao povo que conheço seu sofrimento", disse. "Nós retrocedemos. Temos que nos alavancar, mas não precisamos de cinco ou dez anos. Ao fim do próximo ano, começaremos a nos estabilizar, e certamente em 2024 teremos uma economia funcional que começará a crescer."

Wickremesinghe deu a entrevista no Parlamento da capital administrativa de Sri Lanka, Jayawardenepura Kotte. Ele tomou posse no dia 15. Nesta segunda, o presidente interino ainda renovou o estado de emergência imposto dias atrás, alegando "interesse da segurança pública".

A medida, que precisa ser ratificada pelos congressistas, permite que tropas prendam suspeitos e dá poderes especiais ao presidente em medidas econômicas e de segurança. O país tem eleições indiretas para presidente, a fim de cumprir o restante do mandato de Rajapaksa, até novembro de 2024, marcadas para esta quarta (20).

Wickremesinghe, que foi primeiro-ministro seis vezes, incluindo sob o mandato do antecessor, tem o apoio do partido governista para o pleito. O líder do principal partido da oposição, Sajith Premadasa, também deve ser candidato, bem como Dullas Alahapperuma, parlamentar também alinhado a Rajapaksa.

Nesta segunda, o presidente interino emitiu um comunicado falando também sobre as negociações do país com o FMI (Fundo Monetário Internacional), que vinham se arrastando e foram completamente interrompidas nos protestos da semana passada.

Segundo a nota, as conversas foram retomadas "e estão próximas de uma conclusão", com ajuda financeira de outros países também a caminho. Na quinta, um porta-voz do fundo havia dito que o órgão esperaria a crise política ser resolvida antes de retomar as negociações.

Nesta segunda, com a extensão do estado de emergência, a polícia e o Exército reforçaram a segurança, também em preparação para a eleição. As ruas da capital comercial Colombo permaneceram relativamente calmas, com o trânsito e atividades econômicas ocorrendo sem grandes intercorrências por causa de protestos.

A CRISE

A crise que assola o Sri Lanka tem raízes em 2020, quando a economia do país registrou uma retração de 3,6% em relação ao ano anterior. Segundo o FMI, a inflação anual foi de 12% e 17% nos anos de 2021 e 2022, respectivamente.

Em abril, o governo declarou moratória da dívida externa, avaliada em US$ 51 bilhões. O não pagamento, aliado à falta de reservas internacionais, dificultou a importação de bens essenciais, como combustível, o que gerou um apagão. O governo declarou faltar petróleo e ordenou o fechamento de escritórios e escolas não essenciais para reduzir a pressão sobre o sistema de transporte.

Manifestações de uma crescente onda de protestos foram reprimidas com brutalidade, deixando nove mortos em maio. A população pedia a renúncia de Rajapaksa, responsabilizando-o pela crise econômica e pela perda de poder de compra.

Wickremesinghe, premiê por dois meses até assumir como presidente interino, é visto como um político capaz de negociar saídas à crise econômica junto ao FMI e estabilizar o país. De direita, é o único legislador eleito pelo PNU (Partido Nacional Unificado) no Parlamento.

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