Presidente do Kosovo renuncia após indiciamento por crimes de guerra em Haia

·1 minuto de leitura
O presidente do Kosovo Hashim Thaci em coletiva de imprensa em Pristina após renunciar
O presidente do Kosovo Hashim Thaci em coletiva de imprensa em Pristina após renunciar

O presidente de Kosovo, Hashim Thaci, renunciou nesta quinta-feira (5) depois de confirmada sua acusação pelo Tribunal de Haia por crimes de guerra durante o conflito entre separatistas kosovares e o exército sérvio no final dos anos 1990.

"Há poucos momentos fui informado oficialmente que um juiz do tribunal especial confirmou minha acusação", disse Thaci durante uma entrevista coletiva, na qual anunciou sua "renúncia ao cargo de presidente de Kosovo" e prometeu "colaborar estreitamente com a Justiça".

Thaci, que foi um dos líderes dos rebeldes kosovares, disse que "em nenhuma circunstância quero comparecer perante o tribunal como o presidente da República de Kosovo".

O líder defendeu sua inocência por suas ações durante um conflito que, segundo ele, a maioria dos habitantes de Kosovo, de origem albanesa, consideraram "justo" para alcançar a independência do país, proclamada em 2008.

Além de Thaci, também foi confirmada a acusação pelo Tribunal de Haia de Kadri Veseli, ex-chefe dos serviços de inteligência da guerrilha kosovar e um homem próximo ao presidente.

O tribunal especial para Kosovo tornou pública a acusação de ambos os líderes por crimes de guerra em junho, quando os acusou de envolvimento em assassinatos, perseguições, torturas e desaparecimento de pessoas.

Depois que um juiz confirmou esses processos, Thaci não especificou nesta quinta-feira quais são os crimes pelos quais é acusado.

Criado em 2015, o tribunal especial para Kosovo é encarregado de investigar os crimes cometidos pela guerrilha separatista kosovar albanesa (UCK), principalmente contra sérvios, ciganos e opositores albaneses à guerrilha durante o conflito de 1998-99 e nos anos posteriores.

burs-ssm/eb/mar/aa