Presidente do México oferece desculpas pelo massacre de estudantes em 1971

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Protesto na Cidade do México em 23 de fevereiro de 2005, depois que a Suprema Corte de Justiça considerou prescritas as acusações de genocídio contra o ex-presidente Luis Echeverría (1970-1976) pelo massacre de estudantes em 10 de junho de 1971.

O presidente Andrés Manuel López Obrador ofereceu nesta quinta-feira (10), em nome do Estado mexicano, um pedido de desculpas pelo massacre de estudantes ocorrido em 1971, conhecido como o "Halconazo" e que é evocado no premiado filme "Roma".

Em 10 de junho de 1971, jovens que se manifestaram em apoio a um movimento estudantil no estado de Nuevo León foram violentamente reprimidos por "Los Halcones", um grupo de elite da polícia.

“Ofereço, na minha qualidade de representante do Estado mexicano, um sincero pedido de desculpas, um sincero pedido de perdão e o compromisso, acima de tudo, da não repetição, para que aqueles que protestam nunca sejam reprimidos”, disse López Obrador no início de sua coletiva de imprensa matinal.

O chamado "Halconazo" ou o "Massacre de Corpus Christi" deixou, segundo autoridades da época, uma dezena de mortos, mas defensores dos direitos humanos denunciam que foram uma centena.

“Um abraço a todos os familiares das vítimas da repressão neste dia, 10 de junho, 50 anos depois do 'Halconazo'”, disse o presidente de esquerda.

O ex-presidente Luis Echeverría Álvarez (1970-1976) foi considerado por analistas e historiadores o responsável pelos acontecimentos.

Em 2005, uma promotoria especializado em crimes do passado, agora desaparecida, tentou processar o ex-presidente por genocídio, mas o judiciário considerou que não havia elementos e que os crimes pelos quais foi acusado, inclusive homicídio, já haviam prescrito.

Um grupo de manifestantes protestou pela manhã em frente à casa do ex-presidente, que tem 99 anos e mora no sul da Cidade do México.

As repressões ocorreram em um momento em que o Partido Revolucionário Institucional (PRI) era hegemônico e os adversários, segundo defensores dos direitos humanos, eram perseguidos e silenciados.

"Roma", dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón e ganhador de três Oscars em 2019, evoca o "Halconazo" na trama.

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