Presidente do México comemora maioria legislativa de sua aliança

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O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, comemorou nesta segunda-feira (7) que sua coalizão política manteve a maioria na Câmara dos Deputados e o controle de questões-chave como o orçamento nacional, apesar de ter perdido cadeiras nas eleições legislativas de domingo.

"Agradeço muito porque com esta eleição os partidos simpatizantes do projeto de transformação que está em curso terão maioria na Câmara dos Deputados", afirmou o presidente em sua conferência matinal.

O partido Morena de López Obrador perdeu a maioria absoluta no corpo de 500 deputado.

Agora passará a ter entre 190 e 203 cadeiras na Câmara, de acordo com a projeção do Instituto Nacional Eleitoral (INE). Mas ainda deve manter a maioria com os três partidos aliados ao somar entre 265 e 298 cadeiras.

López Obrador sublinhou que este resultado permite-lhe "garantir o orçamento nacional" - que é aprovado com metade mais um dos votos - para financiar os vastos programas de apoio monetário que o seu governo dirige "aos mais pobres", dos estudantes aos idosos.

Porém, a coalizão governista perde a maioria qualificada de dois terços - necessária para aprovar reformas constitucionais -, que tem atualmente com 333 cadeiras na Câmara.

"É uma derrota de López Obrador, não esmagadora, mas o enfraquece, assim como seu projeto, porque precisa de reformas constitucionais", declarou à AFP o cientista político e historiador José Antonio Crespo.

A maioria qualificada é crucial para o programa antineoliberal do presidente de esquerda, que pretende devolver ao Estado o controle do setor energético, em sentido contrários às leis que abriram a porta para as empresas privadas em 2014.

A nova Câmara dos Deputados, eleita a cada três anos, iniciará o mandato em 1º de setembro. O Senado, também dominado pelo Morena, é renovado a cada seis anos.

No domingo também foram eleitos 15 de 32 governados, além de mais de 21.000 cargos locais. O Morena teria conquistado ao menos oito governos, o que representa um progresso pois atualmente comanda seis estados, de acordo com as contagens rápidas.

- Avanço da oposição -

As eleições representaram um avanço para a oposição.

Os partidos Ação Nacional (PAN), Revolucionário Institucional (PRI) e Revolução Democrática, que estabeleceram uma aliança, terão entre 181 e 213 deputados. Atualmente somam 139.

Crespo acredita que a oposição obteve uma vitória importante porque conseguiu "capitalizar o descontentamento". “Embora a realidade seja que [os eleitores] votaram contra López Obrador, não a favor deles”, acrescentou.

O partido Morena também perdeu o controle de várias prefeituras da Cidade do México que sempre havia controlado, segundo a apuração oficial preliminar. A esquerda governa a capital desde 1997, mas a prefeitura central não estava em disputa.

AMLO, como o presidente é chamado, tem uma popularidade superior a 60%, baseada em vários programas sociais, segundo as pesquisas. Ele foi eleito em 2018 para um mandato de seis anos.

As eleições aconteceram após os efeitos devastadores da pandemia e uma escalada de violência que registrou o assassinato de 91 políticos, incluindo 36 candidatos ou pré-candidatos, segundo a consultoria Etellekt.

No domingo, duas cabeças e pedaços de corpos foram colocados em locais de votação de Tijuana (noroeste, fronteira com os Estados Unidos), informou o MP.

No sábado, cinco indígenas que transportavam material eleitoral morreram em uma emboscada no estado de Chiapas (sul).

Apesar do medo em estados como Guerrero e Jalisco, a taxa de participação nas eleições ficou entre 51,7% e 52,5%, de acordo com o INE.

O México é um dos países mais afetados pelo coronavírus mas a perspectiva de um voto de castigo não era clara ante o retrocesso da epidemia, segundo as pesquisas.

O país, de 126 milhões de habitantes, acumula quase 229.000 mortes por covid-19 - quarto no mundo em números absolutos - e a taxa de mortalidade por 100.000 habitantes é a 21ª do planeta.

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