Presidente mexicano defende participação de Cuba na Cúpula das Américas

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, e o mexicano, Andrés Manuel López Obrador (AFP/Ana RODRÍGUEZ, YAMIL LAGE) (Ana RODRÍGUEZ, YAMIL LAGE)

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, afirmou neste domingo (8) que insistirá para que Washington inclua Cuba na próxima Cúpula das Américas, durante uma visita à ilha cujo pano de fundo são as relações com os Estados Unidos em meio a uma onda migratória massiva.

"Vou insistir com o presidente (Joe) Biden para que nenhum país das Américas seja excluído da cúpula do próximo mês, que será realizada em Los Angeles, Califórnia", disse López Obrador após ser condecorado com a ordem de José Martí (herói nacional).

Em seu discurso, López Obrador disse que continuará "insistindo" para que "os Estados Unidos levantem o bloqueio" contra Cuba, que enfrenta sua pior crise econômica em quase três décadas.

A cúpula, da qual Cuba, Nicarágua e Venezuela foram excluídas, enfatizará a crise migratória, questão central da viagem que Obrador conclui neste domingo pela ilha, depois de visitar Guatemala, Honduras, El Salvador e Belize.

Ao chegar a Havana na noite de sábado, AMLO foi recebido pelo chanceler Bruno Rodríguez, para quem destacou os laços de amizade entre os dois países e perguntou sobre as vítimas da explosão ocorrida na sexta-feira no Hotel Saratoga em Havana, que deixou pelo menos 30 mortos.

López Obrador visita a Cuba quando os dois países comemoram este mês 120 anos de relações diplomáticas. O México foi o único país latino-americano que não aderiu ao isolamento do governo de Fidel Castro na década de 1960, que incluiu a separação de Havana da OEA, e manteve suas relações e comércio com a ilha.

AMLO foi recebido este domingo por Díaz-Canel com honras militares no Palácio da Revolução, numa cerimônia sem discursos. Em seguida, deram início a negociações oficiais. Está prevista a assinatura de convênios de saúde.

No Twitter, o presidente cubano destacou que "sua visita fortalecerá os laços de amizade" entre os dois países.

Durante sua viagem, AMLO pediu a Washington que se envolvesse mais na solução dos problemas econômicos que geram a emigração desordenada para os Estados Unidos e promoveu seu programa de promoção de empregos "Sembrando Vidas".

De outubro de 2021 a março de 2022, mais de 78.000 cubanos entraram em território norte-americano pela fronteira com o México, segundo a Alfândega dos Estados Unidos, o que acrescenta Cuba ao problema migratório entre os dois países do norte.

Havana tem acordos migratórios com Washington, segundo os quais os Estados Unidos devem emitir 20.000 vistos por ano para os cubanos e devolver os imigrantes ilegais interceptados em alto mar. Enquanto Cuba deve impedir a emigração ilegal por métodos persuasivos e reintegrar os retornados sem consequências legais.

AMLO também insistiu na necessidade de que todos os países do hemisfério participem da Cúpula das Américas a ser realizada em junho, em Los Angeles, da qual Cuba, Nicarágua e Venezuela foram excluídas.

O México atuou como intermediário ou facilitador entre Cuba e os Estados Unidos em momentos de tensão máxima em 1981, quando Miguel López Portillo e seu chanceler Jorge Castañeda organizaram uma reunião secreta entre o secretário de Estado Alexander Haig e o vice-presidente cubano Carlos Rafael Rodríguez.

O presidente mexicano Carlos Salinas também foi um intermediário entre Bill Clinton e Fidel Castro na crise de 1994.

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