Presidente do Parlamento Europeu promete medidas para combater corrupção e 'interferência estrangeira'

A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, prometeu, nesta segunda-feira (16), adotar medidas para enfrentar a corrupção e a interferência estrangeira na instituição, abalada por um escândalo que, segundo relatos, envolve Catar e Marrocos.

"Vamos promover medidas que fortalecerão a luta contra a corrupção e como podemos rejeitar a interferência estrangeira", disse Metsola em relação ao escândalo.

Na opinião de Metsola, "os acontecimentos (...) levaram à necessidade de reconstruir a confiança dos cidadãos europeus que representamos".

Em dezembro, uma investigação da justiça belga levou à prisão da eurodeputada grega Eva Kaili, vice-presidente do Parlamento, e de uma influente ex-deputada italiana, além de outros dois italianos.

Todos foram acusados de "pertencimento a uma organização criminosa", "lavagem de dinheiro" e "corrupção", após receberem pagamentos em dinheiro para defender os interesses do Catar no Parlamento. Grécia e Itália lançaram suas próprias investigações.

O emirado nega enfaticamente qualquer envolvimento em atos de corrupção. O mesmo vem sendo feito pelo Marrocos, outro país citado nas denúncias.

Kaili, que permanece detida, foi removida do cargo de vice-presidente e seu substituto será escolhido na quarta-feira. Os candidatos serão anunciados na véspera.

Em um discurso feito na segunda-feira na primeira sessão plenária do ano do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, Metsola insistiu que a reação ao escândalo está apenas começando.

"Este é o início, não o fim", afirmou, ao acrescentar que iniciou discussões com todos os grupos políticos representados na instituição para definir "medidas que possam ser implementadas rapidamente".

Em sua visão, é fundamental melhorar a integridade e a independência do poder legislativo europeu. Os eurodeputados pedem, por sua parte, firmeza na reação da instituição.

A Defensora de Povo Europeu, Emily O'Reilly, afirmou em entrevista à AFP que o escândalo de corrupção deve ser a ocasião para mudar "a cultura" dentro da instituição europeia.

“Se existe uma cultura que permite garantir que os deputados só trabalhem para o interesse geral e não para interesses particular, que seja para eles próprios, de outros indivíduos, empresas ou Estados, então [esse tipo de escândalo] não vai acontecer”, insistiu.

O'Reilly apontou também a necessidade de realizar "reformas verdadeiras", como propôs Metsola.

"A maioria dos eurodeputados tem uma ética de trabalho verdadeira, mas o fato de as regras serem tão flexíveis e às vezes não aplicadas [permite] que aqueles que querem se comportar de forma desonesta o façam", declarou.

O Defensor do Povo Europeu é um órgão independente cuja função é responsabilizar as instituições europeias por suas ações.

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