Presidente do Peru completa um ano no poder cercado pela Justiça

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O presidente do Peru, o esquerdista Pedro Castillo, completa na quinta-feira (28) um ano de mandato com um recorde de cinco investigações fiscais por suposta corrupção e o cerco persistente de um Congresso dominado pela direita que exige sua renúncia.

O panorama evoca o destino dos ex-presidentes Pedro Pablo Kuczynski e Martín Vizcarra, que sobreviveram a uma primeira moção de impeachment, mas não a uma segunda em 2018 e 2020, respectivamente, em meio a confrontos com o Congresso e alegações de corrupção.

Castillo, professor rural e sindicalista, sobreviveu a duas tentativas de impeachment "por incapacidade moral", promovidas por um setor insatisfeito do Congresso desde o início de seu mandato.

Quando comparecer no Congresso nesta quinta para sua primeira mensagem anual no dia nacional do Peru, encontrará um clima mais tenso.

A recente decisão da procuradora-geral, Patricia Benavides, de abrir uma nova investigação por "obstrução da justiça" alimenta um terceiro pedido de impeachment.

Por enquanto, Castillo resistiu à tempestade ajudado pela corrupção e pela fragmentação do Congresso de 130 membros, que carece dos 87 votos necessários para removê-lo do cargo.

Vários analistas consultados pela AFP duvidam de que ele consiga se manter no poder.

"Em apenas três meses ficou evidente que ele era um presidente inepto com uma vocação muito forte para a corrupção", disse o analista e economista Augusto Álvarez Rodrich.

- Cinco investigações -

A Promotoria abriu cinco investigações contra Castillo, quatro por casos ocorridos em seu governo.

Os casos contemplam um suposto tráfico de influência na compra de combustível pela estatal Petroperú em 2021 e a suposta obstrução de justiça na destituição de um ministro do Interior.

Também um suposto tráfico de influência em promoções militares, alegada corrupção e conluio agravado em um projeto de obras públicas, e por plágio em sua tese universitária.

O presidente nega veementemente todas as acusações.

"Não tenho nada a ver com atos irregulares, ou corrupção. Sou um homem honesto e sempre defenderei minha inocência e honra", escreveu ele no Twitter, em 17 de junho.

A Promotoria, que é autônoma e promove a megainvestigação do caso da Odebrecht que afetou outros quatro presidentes peruanos, considera que há indícios de que Castillo chefia "uma organização criminosa" que envolve seu ambiente político e familiar.

Em razão da imunidade até o final de seu mandato em 2026, não pode ser levado aos tribunais.

"O Ministério Público é independente. Há testemunhos e acusações que parecem bem fundamentados. Não acredito que foram fabricadas", disse à AFP o analista Michael Shifter, do Inter-American Dialogue, com sede em Washington, D.C.

"A corrupção não se limita ao presidente, e o Congresso também está muito envolvido, e os parlamentares foram beneficiados. Por isso, também não querem que ele seja cassado. É uma espécie de equilíbrio perverso", destacou.

O cientista político Carlos Meléndez, da Universidade chilena Diego Portales, acredita que Castillo está aparentemente cercado por "aventureiros e oportunistas que compactuam pontualmente em negócios aproveitando sua proximidade com o poder".

Na terça-feira, o ex-secretário Bruno Pacheco, procurado por corrupção, se entregou às autoridades em mais um golpe à imagem do presidente.

Os peruanos estão divididos sobre Castillo, que canalizou o voto de protesto em 2021 como um novo rosto, alheio aos partidos dominantes, manchados pela corrupção.

"O nosso presidente está encurralado pelos políticos de direita, não o deixam governar", disse à AFP Areís Alfaro, de 56 anos.

Ingrid Chung, de 30, vê o presidente como "alguém que veio para nos enganar".

"Considero que não deve continuar e que atualmente está manchado de corrupção", completou.

Sua reprovação nas pesquisas subiu para 74%, quatro pontos a mais do que em junho, de acordo com uma pesquisa recente da Ipsos.

O Congresso também está mal: 79% desaprovam a instituição.

Castillo venceu as eleições, inesperadamente, à frente de um pequeno partido marxista-leninista com 50,12% dos votos, em um segundo turno contra a direitista Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000).

O resultado foi questionado por direitistas que alegaram fraude, mas foi endossado pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e pela União Europeia (UE).

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