Presidente do PL, partido de Bolsonaro, anuncia oposição a Lula

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, anunciou nesta terça-feira que o partido que abriga o presidente Jair Bolsonaro fará oposição ao governo do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista coletiva, o líder do Centrão também confirmou que convidou Bolsonaro para um cargo de presidente de honra no partido.

— O PL não renunciará às suas bandeiras e ideais. Será oposição aos valores comunistas e socialistas, será oposição ao futuro presidente. O Partido Liberal seguirá mais forte do que nunca na busca pela construção de uma nação unida.

Valdemar vinha sendo pressionado por deputados do PL ligados a Bolsonaro a anunciar a oposição com o receio que, assim como outras siglas, o partido também abrisse negociação com o PT, de que foi um aliado histórico. Alguns dos aliados mais radicais de Bolsonaro, como Filipe Barros (PR), Bia Kicis (DF), Carlos Jordy (RJ) e o senador eleito Jorge Seif (SC), estavam presentes na plateia.

É a primeira entrevista coletiva de Valdemar desde que Bolsonaro se filiou ao partido. De perfil discreto, o dirigente submergiu após ser condenado pelo escândalo do Mensalão em 2012 e cumprir pena.

Um dos pilares do Centrão, o PL elegeu a maior bancada para a Câmara de Deputados com 99 parlamentares ao abrigar Bolsonaro em novembro do ano passado para disputar a reeleição.

Com o ingresso do presidente, a legenda atraiu aliados bolsonaristas puxadores de votos nos estados que contribuíram para o êxito do PL nas eleições. A sigla, contudo, permanece abrigando os deputados fisiológicos. A estimativa na Executiva do próprio partido é que, dentre os 99 deputados eleitos, mais de 40 estarão dispostos a ajudar o futuro governo, se forem atendidos com cargos e emendas.

Integrantes do PL acreditam que, em um primeiro momento, toda a bancada deveria se posicionar como opositora ao governo Lula. Porém, há uma ala que defende que o partido acabe usando a resistência dos deputados bolsonaristas para, mais tarde, “vender mais caro” o apoio dos parlamentares dispostos a negociar com o governo votação por votação.