Presidente pró-russo da Moldávia reconhece derrota para candidata pró-europeia

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Maia Sandu vota em Chisinau, no segundo turno das eleições
Maia Sandu vota em Chisinau, no segundo turno das eleições

O presidente pró-russo da Moldávia, Igor Dodon, reconheceu nesta segunda-feira (16) sua derrota no segundo turno das eleições presidenciais de domingo (15) e parabenizou sua rival, a pró-europeia Maia Sandu, cuja vitória na ex-república soviética marca um revés para Moscou.

"A contagem preliminar mostra que minha adversária ganhou esta eleição", disse Dodon. "Eu a parabenizo", acrescentou, denunciando um número "sem precedentes" de violações eleitorais e "interferência de líderes ocidentais".

Com 100% dos votos apurados, Sandu, que promete uma luta implacável contra a corrupção, obteve 57,75% dos votos contra 42,25% de Dodon, acusado de corrupção durante seu mandato de quatro anos, segundo dados da Comissão Eleitoral Central.

A vitória de Sandu, de 48 anos, a primeira mulher a se tornar presidente desta ex-república soviética, que há anos oscila entre aspirações pró-europeias e uma reaproximação com Moscou, pode não ser bem vista pela Rússia, que teme perder sua influência na região.

Em um país acostumado a crises políticas e protestos pós-eleitorais, o candidato derrotado pediu calma a seus seguidores. "Não precisamos de desestabilização", afirmou.

- Cumprimentos de Bucareste e Moscou -

“Vamos construir uma política externa equilibrada” na Moldávia, declarou a candidata vencedora, apelando ao “diálogo pragmático com todos os países”, especialmente a União Europeia, os Estados Unidos e a Rússia.

"Quero que se deixe de associar a Moldávia à pobreza, corrupção e emigração", acrescentou Sandu.

Uma hora depois de Dodon reconhecer sua derrota, o presidente russo Vladimir Putin parabenizou Maia Sandu e afirmou esperar que "relações construtivas se desenvolvam entre nossos países", segundo comunicado do Kremlin.

A Rússia mantém um olhar atento e influencia esta ex-república soviética. O exército russo está na Transnístria, um território secessionista pró-Rússia da Moldávia.

A Romênia, país membro da União Europeia com laços históricos e uma língua comum com a Moldávia, felicitou Maia Sandu, assim como a Ucrânia.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, declarou que os moldavos "escolheram o caminho da justiça, a verdadeira luta contra a corrupção e uma sociedade mais justa".

Formada em Economia, Sandu trabalhou para o Banco Mundial em Chisinau entre 1998 e 2005, e depois em Washington entre 2010 e 2012. Ministra da Educação entre 2012 e 2015, ela teve um curto mandato como primeira-ministra em 2019.

A Moldávia é um dos países mais pobres da Europa. Com 3,5 milhões de habitantes, e amputada de uma parte de seu território, a Transnístria, até 40% de sua população emigrou em busca de melhores condições de vida.

Sandu foi uma surpresa nas eleições presidenciais quando liderou o primeiro turno graças ao apoio da diáspora, que se repetiu no segundo turno, obtendo 92% dos votos dos moldavos que vivem no exterior.

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