Presidente Rodrigo Pacheco disse que pela gravidade dos fatos considera pertinente a abertura de uma comissão

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse nesta terça-feira que, se tivesse de tomar uma decisão hoje, apoiaria a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os atos terroristas do dia 8 de janeiro. O requerimento de abertura de uma CPI, de autoria da senadora Soraya Thronicke (União-MG), já tem 45 assinaturas — são necessárias 27 rubricas — mas a análise do pedido só ocorrerá na volta do recesso parlamentar, em 1º fevereiro.

— Se fosse uma decisão a ser tomada hoje em relação a esses acontecimentos do dia 8 de janeiro, me parece muito adequado que isto seja objeto de uma CPI – disse Pacheco, que concorre à reeleição do Senado.

- Talvez esse fato pela gravidade, pela magnitude que essa violação democrática, essas agressões que o estado de direito sofreu no brasil, eu considero muito pertinente uma comissão parlamentar de inquérito -- completou o presidente do Senado.

O requerimento de Soraya Thronicke já foi protocolado e conta com o apoio do líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), além de outros senadores do PT, União, MDB, PSDB, PSD, PDT, PRO, Podemos e PP. Até agora nenhum parlamentar do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, subscreveu a iniciativa.

No documento, a senadora pede que sejam apuradas quais foram os responsáveis pelos atos, possíveis omissões de autoridades e a identificação de financiadores dos atos golpistas.

— Já temos assinaturas suficientes com senadores que seguem no mandato. Podemos já deixar tudo pronto para instalar a CPI já em 1º de fevereiro – disse o senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Nesta terça, o Senado aprovou o decreto de intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os senadores chancelaram a medida adotada pelo presidente após a invasão ao Congresso, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal por apoiadores radicais do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Dos 81 senadores, 70 participaram da sessão extraordinária de forma presencial ou remota. Oito votaram contra o decreto, entre eles o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente.

Além de Flávio, os demais aliados de Bolsonaro que se posicionaram contrariamente à intervenção foram: Styvenson Valentim (Podemos-RN), Plinio Valério (PSDB_AM), Carlos Portinho (PL-RJ), Eduardo Girão (Podemos-CE), Carlos Viana (PL-MG) , Luís Carlos Heinze (PP-RS) e Zequinha Marinho (PL-PA).

— Não queiram criar essa narrativa mentirosa como se tivesse alguma vinculação de Bolsonaro a esses atos irresponsáveis? O presidente Bolsonaro, após o resultado das eleições, ficou em silêncio, se recolheu e está lambendo as feridas. Não é essa expressão que muitos estão usando ai? É o que ele está fazendo, praticamente incomunicável, então é importante fazer esse registro — disse Flávio por vídeo.

Em sua fala, Flávio pediu a individualização dos crimes e afirmou que quer participar da comissão que acompanhará as investigações dos atos terroristas de 8 de janeiro para que não seja transformada em um palanque político.

— O momento é grave, é muito sério. A gente não pode mais uma vez usar uma situação como essa como palanque.