Presidente salvadorenho questiona procurador-geral por investigações sobre o governo

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(Arquivo) O presidente de San Salvador, Nayib Bukele
(Arquivo) O presidente de San Salvador, Nayib Bukele

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, acusou o procurador-geral Raúl Melara nesta quarta-feira (11) de estar em uma "campanha" eleitoral a favor da direita, após abrir uma investigação sobre os gastos do governo para gerenciar a pandemia da covid-19. 

"Por que todas as buscas e apreensões, ataques, pedidos de pré-julgamento e impeachment foram feitos no mesmo dia? O procurador 'arenero' já está em campanha", disse o presidente no Twitter. 

O termo "arenero" é uma referência ao partido da direita, Aliança Republicana Nacionalista (ARENA). 

Dezenas de promotores começaram uma busca na segunda-feira passada nos escritórios centrais do Ministério da Saúde para apreender informações sobre as despesas voltadas à pandemia. 

Nesse mesmo dia, o Ministério Público solicitou ao Congresso a abertura de uma audiência preliminar contra o diretor da polícia, Mauricio Arriaza, para que ele seja destituído de sua jurisdição e possa enfrentar a justiça local por descumprimento de funções.

Para o presidente, os mais interessados nos dois eventos são os partidos de oposição ARENA e o Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN, esquerda). 

"Todos nós sabemos que Raúl Melara é um procurador 'arenero' (...), a única novidade é que a campanha eleitoral já começou. Faça o procurador o que quiser. Quem não deve nada, nada teme", afirmou Bukele. 

El Salvador realizará eleições legislativas e municipais em fevereiro de 2021, nas quais o partido Novas Ideias (NI), apoiado por Bukele, surge como um grande favorito segundo as últimas pesquisas. 

Melara foi nesta quarta-feira à sede do Ministério da Saúde para verificar o andamento da busca por informações relacionadas aos gastos durante a pandemia. 

"O Ministério Público está atuando dentro de suas atribuições legais, estamos conduzindo uma investigação e não deve ser visto com surpresa, são processos de rotina", ressaltou o procurador-geral.

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