Presidente do Senado abre investigação interna após assessor de Bolsonaro fazer gesto associado a supremacistas brancos durante sessão

Filipe Vidon
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RIO - O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), determinou uma investigação interna após o assessor da Presidência Filipe Martins ter feito um gesto associado a supremacistas brancos durante uma sessão na Casa na manhã desta quarta-feira. Enquanto Pacheco citava ações do governo para o enfrentamento à pandemia, Martins, sentado atrás dele, Martins fez com a mão o símbolo comumente conhecido como “OK”, que, entre supremacistas, significa White Power (poder branco). As imagens viralizaram no Twitter e levaram o nome do assessor do presidente Jair Bolsonaro aos assuntos mais comentados da plataforma.

Após fazer a gesticulação, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) interrompeu a sessão e exigiu que a conduta fosse investigada. “Isso é inaceitável e intolerável. Essa sessão não tem condição alguma de ter continuidade (...) Não existem mais limites a serem ultrapassados por esse governo”, declarou Randolfe.

Após Randolfe apresentar a questão, Pacheco afirmou que vai solicitar à Secretaria-Geral da Mesa e à Polícia Legislativa a abertura de uma investigação do fato. O presidente da Casa declarou que iria continuar a sessão e pediu “serenidade” aos colegas.

“Peço muito aos Senadores e Senadoras que mantenhamos a calma, a serenidade, a técnica, buscando obter as informações necessárias da política existente ou não existente no Ministério das Relações Exteriores. É uma aferição que se fará ao longo da sessão e a partir dos dados apresentados pelos Ministros, mas não prejudicaremos esta oportunidade muito importante do Senado Federal para que nós possamos ter as soluções para o problema da pandemia”, disse Pacheco.

Depois das imagens circularem nas redes, Martins afirmou que estava apenas ajustando o microfone lapela que estava em seu terno.

A Liga Anti Difamação (ADL em inglês), principal entidade de combate ao antissemitismo dos Estados Unidos, já publicou um artigo defendendo que a partir de 2017 o gesto de “OK” com a mão ganhou um novo significado. Membros de uma comunidade na internet difundiram a explicação de que o símbolo representava as letras W e P, para representar White Power (poder branco).

Em março de 2019, o homem acusado de matar 51 pessoas em mesquitas na Nova Zelândia fez o mesmo gesto enquanto era ouvido em um tribunal.

Em junho de 2020, um trecho da live semanal do presidente Jair Bolsonaro também provocou polêmicas e viralizou nas redes sociais. Ele apareceu bebendo um copo de leite na transmissão, e o ato foi associado por internautas à utilização da bebida como um símbolo do supremacismo branco por parte de grupos de extrema-direita dos Estados Unidos.

A discussão sobre a atitude do presidente remete às fileiras americanas mais radicais, entre as quais há um movimento conhecido como "Alt-Right" (o equivalente a "Direita Alternativa", em português) que utiliza o leite como forma de exaltar a percepção preconceituosa de que os brancos seriam aos demais, sobretudo aos negros.