Presidente senegalês nega que proibição da homossexualidade seja homofobia

(Arquivo) O presidente do Senegal, Macky Sall

A proibição da homossexualidade no Senegal se deve a razões culturais que não têm "nada a ver" com a homofobia, afirmou o presidente do país, Macky Sall, nesta quarta-feira (12), na presença do primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau.

"Sempre defendo os direitos humanos e trago essas questões para onde quer que eu vá", afirmou Trudeau em coletiva de imprensa conjunta em Dacar. "O presidente Macky Sall conhece muito bem meus pontos de vista a respeito, e falamos disso brevemente", acrescentou.

Sall confirmou que o assunto, delicado neste país da África Ocidental, foi abordado durante as reuniões.

"As leis de nosso país obedecem normas que são o condensado de nossos valores culturais e civilizatórios", declarou. "Isso não tem nada a ver com a homofobia. Quem tem a orientação sexual de sua escolha não é alvo de exclusão", reiterou.

Mas, ao ser questionado por um jornalista sobre de que modo as leis que proíbem a homossexualidade não são uma mostra de homofobia, Sall evitou responder.

Contudo, deixou a porta aberta a uma mudança.

"Tampouco podemos pedir ao Senegal que diga: 'amanhã legalizamos a homossexualidade e, amanhã há aqui uma parada gay, etc'", acrescentou, referindo-se a marchas do orgulho LGTB celebrados em outras regiões do mundo.

"Isso não é possível porque nossa sociedade não aceita isso. A sociedade evoluirá, isso levará um tempo", disse o presidente senegalês.

No Senegal, a lei pune com penas de um a cinco anos de prisão os atos homossexuais. O código penal se refere a "atos impudicos ou contra a natureza com um indivíduo do mesmo sexo".

Mais da metade dos países da África subsaariana - 28 de 49 - têm leis que príbem ou reprimem a homossexualidade, eventualmente com pena de morte.