Presidente do Sri Lanka renuncia por e-mail após fugir para Cingapura

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O presidente do Sri Lanka, Gotabaya Rajapaksa, renunciou ao cargo nesta quinta-feira, atendendo a uma das principais demandas dos manifestantes que há meses protestam furiosos com a pior crise econômica da História do país, e que ocuparam prédios do governo no fim de semana.

Rajapaksa, que estava no poder desde novembro de 2019 e fugiu para Cingapura nesta quinta-feira, após abrigar-se nas Ilhas Maldivas por um dia, comunicou finalmente sua renúncia em um e-mail enviado ao presidente do Parlamento. Ele havia prometido renunciar no início da semana.

Mais cedo, os manifestantes contrários ao governo anunciaram o fim da ocupação dos edifícios públicos que durava mais de cinco dias, mas prometeram seguir pressionando por uma mudança na condução do país.

— Saímos pacificamente do palácio presidencial, da secretaria da Presidência e do gabinete do primeiro-ministro, mas continuaremos com nossa luta — disse um porta-voz dos manifestantes.

Uma multidão invadiu o palácio e a sede da Presidência no sábado, além de incendiar a casa do primeiro-ministro, Ranil Wickremesinghe. Na quarta-feira, o gabinete do premier, que ocupa a Presidência interinamente, foi ocupado.

De acordo com fontes das forças de segurança, o presidente permanecerá em Cingapura por algum tempo, antes de seguir para os Emirados Árabes Unidos. O governo local esclareceu que a viagem de Rajapaksa é privada que ele não pediu asilo.

Como chefe de Estado, Rajapaksa gozava de imunidade e não podia ser preso. Especula-se que sua fuga para o exterior, acompanhado pela mulher e por dois guarda-costas, teve o objetivo de evitar uma detenção.

A população de quase 22 milhões de habitantes da ilha enfrenta escassez de produtos essenciais devido à falta de divisas para as importações. Os manifestantes atribuem a crise à péssima gestão de Rajapaksa.

O premier já tinha pedido a saída dos manifestantes dos prédios públicos e determinado às forças de segurança que fizessem o "necessário para restabelecer a ordem".

Um importante monge budista que apoiou os protestos fez um apelo para que o Palácio Presidencial de mais de 200 anos fosse devolvido às autoridades, para garantir a conservação de valiosas obras de arte.

— Este edifício é um tesouro nacional e deve ser protegido — disse o monge Omalpe Sobitha. — Uma auditoria adequada deve acontecer a a propriedade deve ser devolvida ao Estado.

Desde a fuga do presidente, o complexo foi aberto ao público e milhares de pessoas foram visitar a residência oficial.

O toque de recolher foi suspenso na madrugada de quinta-feira. A polícia informou que um soldado e um agente ficaram feridos durante confrontos perto do Parlamento.

O principal hospital de Colombo informou que 85 pessoas foram internadas com ferimentos na quarta-feira e que um homem morreu sufocado após inalar gás lacrimogêneo no Gabinete do primeiro-ministro.

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