Presidente sul-africano pede em Londres ajuda de países ricos contra aquecimento

O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, instou nesta terça-feira (22) os países ricos a ajudarem mais as nações vulneráveis ao aquecimento global, durante uma visita de Estado ao Reino Unido, a primeira ao país desde que Charles III subiu ao trono.

O rei, a rainha consorte Camila, o príncipe-herdeiro William e a esposa dele, Catherine, deram as boas-vindas ao presidente sul-africano em uma cerimônia tradicional no Horse Guard Parade de Londres, antes de uma recepção no Palácio de Buckingham.

A esposa de Ramaphosa, Tshepo Motsepe, acabou não viajando a Londres, pois está se recuperando de uma recente cirurgia oftalmológica, informou à AFP a presidência sul-africana.

Durante um discurso no Parlamento britânico, o presidente reconheceu a corrupção endêmica em seu país, uma prática da qual ele mesmo é acusado.

Ele prometeu "reconstruir" sua economia decadente e pediu que o recente acordo alcançado na conferência climática da ONU, a COP27, concluída recentemente no Egito, para criar um fundo de compensação aos países desfavorecidos resulte em dinheiro vivo.

"Isto não é caridade", afirmou. "É uma compensação pelo dano que foi feito - e que ainda será feito - às pessoas das economias em desenvolvimento como consequência da industrialização dos países ricos", defendeu.

Conhecido por seu compromisso de longa data com o meio ambiente, o monarca britânico de 74 anos afirmou que, "acima de tudo, devemos encontrar e aplicar soluções práticas" para a "dupla ameaça" das mudanças climáticas e da perda de biodiversidade.

Esta é a primeira visita de Estado desde que Charles III acendeu ao trono após a morte de sua mãe, Elizabeth II, em setembro. E a primeira organizada no Reino Unido desde junho de 2019, quando a rainha recebeu o então presidente americano, Donald Trump.

"O fato de a África do Sul ser o primeiro país acolhido (para uma visita de Estado) por sua majestade, o rei, demonstra nosso compromisso com o desenvolvimento de associações com a África", afirmou o ministro das Relações Exteriores, James Cleverly.

Ramaphosa se reunirá na quarta-feira com o primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak.

Esta viagem ocorre em um momento delicado para o presidente sul-africano, que enfrenta o descontentamento de seu país pela situação da economia.

Também é acusado de ter comprado o silêncio de ladrões que se depararam com milhões em dinheiro vivo em uma de suas propriedades, em fevereiro de 2020, o que levantou suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção, o que ele nega.

Os resultados de uma investigação em curso poderiam resultar em uma votação no Parlamento sul-africano para destituir Ramaphosa, que denuncia uma manobra política para evitar que se candidate à reeleição em 2024.

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