Presidente sul-africano será o grande ausente no funeral de Kathrada

(Arquivo) O presidente sul-africano, Jacob Zuma

O presidente sul-africano, Jacob Zuma, será o grande ausente no funeral do ícone da luta antiapartheid Ahmed Kathrada, que morreu nesta terça-feira, aos 87 anos.

Companheiro de cela de Nelson Mandela e figura histórica do partido Congresso Nacional Africano (ANC), Kathrada pediu publicamente no ano passado a renúncia do atual chefe de Estado, envolvido em uma série de escândalos de corrupção.

"O presidente Zuma não participará no funeral, nem na homenagem (nacional), de acordo com os desejos da família", afirma um comunicado divulgado pela presidência.

Zuma, no entanto, adiou por algumas horas, de forma oficial, um conselho de ministros previsto para esta quarta-feira para que que os membros do governo possam comparecer ao funeral em Johannesburgo.

Desde que se afastou da política em 1999, Ahmed Kathrada dirigia a fundação que tem o seu nome, dedicada a lutar contra a desigualdade.

Mas no ano passado ele saiu rapidamente de sua aposentadoria política para lamentar o rumo tomado pelo ANC sob o comando de Zuma.

"Querido camarada presidente, o senhor não pensa que continuar como presidente vai contribuir para agravar a crise de confiança no governo do país?", questionou em uma carta aberta.

Toda a África do Sul prestou homenagem, emotiva e unânime, ao "Tio Kathy", seu apelido, que passou vários anos detido com Mandela na prisão de Robben Island.

Apesar do ANC, que está no poder desde 1994, ter elogiado um "líder cujo serviço ao país ficará marcado para sempre", Zuma se limitou a apresentar condolências à família e a expressar sua "profunda tristeza".