Presidente do TCU diz que não houve fraude em eleições

Urnas eletrônicas em Porto Alegre

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente em exercício do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, disse nesta terça-feira que não houve fraude ou irregularidades nas eleições presidenciais deste ano e que o resultado das urnas condiz com a vontade da maioria da população.

Após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição, uma série de manifestações ocorreram no país apontando, sem provas, que teria havido fraude no pleito e defendendo o desrespeito ao resultado eleitoral e uma intervenção militar no país, o que é ilegal.

Ainda no domingo, poucas horas após o fim da apuração, estradas em todo o país foram bloqueadas por apoiadores de Bolsonaro descontentes com o resultado.

Somente após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) desobstruísse as vias e determinando que as Polícias Militares dos Estados também poderiam atuar na liberação, as rodovias foram liberadas ao longo de alguns dias, também depois que Bolsonaro divulgou vídeo pedindo que seus apoiadores desfizessem as interdições.

Na semana passada, no feriado do Dia de Finados, milhares de bolsonaristas reuniram-se diante de unidades do Exército em várias cidades do país para pedir intervenção das Forças Armadas, o que é ilegal.

Nesta terça, Dantas disse que o TCU realizou auditoria do processo eleitoral e não encontrou quaisquer irregularidades.

"Não houve fraude", resumiu Dantas. "A maioria da população, ainda que por uma margem restrita, decidiu os caminhos que o país vai trilhar nos próximos quatro anos... a democracia brasileira é sólida o suficiente para resistir até aqueles que acreditam em arroubos autoritários", acrescentou ele.

"Auditamos o processo eleitoral brasileiro e nossos auditores concluíram que nosso sistema de votação é confiável. O nosso relatório indica com todas as letras que não houve qualquer divergência entre o voto depositado na urna pelos eleitores e o número apontado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral)."

As Forças Armadas realizaram uma fiscalização do pleito e, na segunda, o Ministério da Defesa disse que divulgará um relatório com seu parecer sobre a eleição na quarta. O documento deverá ser entregue ao TSE.

"Vamos aguardar esse relatório sobre as eleições, sobre suposta fraude nas eleições. O que se vê é uma mobilização nacional muito forte, tenho andado pelo interior, nas estradas e quartéis. É um momento de dificuldade e instabilidade e estou muito preocupado com isso", disse o ministro Augusto Nardes, do TCU.

"Espero que tenhamos capacidade de diálogo para evitar um conflito social na sociedade brasileira", finalizou.