Presidente do União Brasil diz que deputados Juscelino Filho e Daniela do Waguinho serão ministros de Lula

O presidente do União Brasil, Luciano Bivar, afirmou nesta quinta-feira que o deputado federal Juscelino Filho (União-MA) e Daniela do Waguinho (União-RJ) comandarão ministérios no governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois devem assumir as pastas do Turismo e Comunicações, respectivamente.

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O presidente do partido disse ainda que os nomes são uma “escolha pessoal” do presidente, não vinculando a entrada do partido na base aliada do governo no Conrgresso. Uma terceira vaga que seria reservada ao União Brasil deve ser preenchida pelo governador do Amapá, Waldez Góes (PDT), indicado pelo senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

— Ele convidou dois filiados do União Brasil, que foi o Juscelino e a Daniela. Está confirmado, deve anunciar. Mas é uma escolha pessoal do presidente — afirmou Bivar, completando quando questionado sobre um terceiro nome: — Não, não tem, só dois nomes. Não é do União, é coisa pessoal do presidente.

O presidente da sigla ainda confirmou que o partido será independente e não fará parte da base do próximo governo. Disso, no entanto, que não haverá “oposição sistemática”.

— Não vai (para base do governo). Não significa que o partido está na oposição, o partido tem suas convicções e vai remar todas as vezes em que o governo estiver a favor do povo brasileiro o União vai estar junto. Não vai ter oposição sistemática, nada disso.

A escolha de nomes do União Brasil para a Esplanada dos Ministérios gerou uma crise do governo eleito com as bancadas da legenda no Congresso. Nesta quarta-feira, Lula havia decidido ampliar o espaço de partidos de centro no governo e dar três ministérios para o União Brasil e outros três ao PSD, o mesmo número de pastas que ficarão com o MDB, outra sigla que deve formar sua base no Congresso. Pelo desenho traçado em conversas nesta quarta-feira, o União Brasil ficaria com Integração Nacional, Comunicações e Turismo, enquanto o PSD teria Agricultura, Minas e Energia e Pesca.

A indicação do União, no entanto, gerou um impasse em relação ao nome do deputado federal Elmar Nascimento (BA), líder da bancada e o indicado para assumir Integração Nacional. Petistas resistiram ao seu nome e convenceram Lula a não levar o deputado para o governo. Lembram que, durante a campanha eleitoral, Nascimento fez discursos nos quais chamava Lula de “ex-presidiário” e “condenado”, além de ser um ferrenho opositor do PT em seu estado.

Por outro lado, integrantes da bancada do União Brasil, que terá 59 deputados em 2023, afirmam que não há segunda opção no partido para a pasta e, caso não fique com Nascimento, o partido poderá se declarar independente ou até oposição no Congresso. O União Brasil é a terceira maior bancada da Câmara, atrás de PL e PT e poderá vir a ser o fiel da balança em votações de interesse do Palácio do Planalto. Interlocutores do deputado afirmam ainda que, durante as negociações da “PEC da Transição”, da qual foi relator, emissários de Lula sinalizaram que ele poderia ganhar a Integração Nacional.

Em meio à rejeição ao nome de Nascimento, Bivar, fez questão de assinalar, segundo aliados, que a direção da legenda não foi "comunicada de nada". As negociações para a adesão do partido ao governo têm sido tocadas pelo senador Davi Alcolumbre (AP).

Horas antes da posse, ainda havia indefinição sobre quem seria formalizado no ministério pelo União. A tendência é que seja ocupado pelo ex-governador do Amapá Waldez Góes, que sequer é filiado pelo União. Sua indicação, contudo, foi mediada pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP).