Presidente do Uruguai é criticado por mediação de vacinas para Conmebol

SYLVIA COLOMBO
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BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Num grave momento da pandemia no Uruguai, a notícia de que o presidente Luis Lacalle Pou teria mediado a doação de 50 mil doses de vacina da chinesa Sinovac para a Conmebol distribuir a participantes dos seus torneios levantou polêmica entre os uruguaios. A revelação foi feita pelo presidente da entidade do futebol sul-americano, o paraguaio Alejandro Domínguez, que afirmou que o papel de Lacalle Pou foi "crucial" na mediação com o laboratório chinês. Não foi apenas o líder do Executivo uruguaio quem atuou na transação. Também o secretário da Presidência, Álvaro Delgado, o secretário nacional de Esportes, Sebastián Bauzá, o embaixador uruguaio na China, Fernando Lugris, e o presidente da Associação Uruguaia de Futebol, Ignacio Alonso. "A mesma consideração que demonstrou com a Conmebol poderia ser demonstrada com o departamento de Canelones", disse o prefeito da localidade, Yamandú Orsi, que teve apenas 13% de sua população vacinada com a primeira dose. Sua reclamação foi ecoada por outros líderes regionais. Tirando Montevidéu, o resto do país vacinou apenas 20% de sua população com uma só dose, em média. O departamento de Rivera, na fronteira com o Brasil, vacinou 41% da população. Montevidéu, 62%. Nesta segunda-feira (11), o coronavírus matou 71 pessoas no país, um recorde desde o início da pandemia. O Uruguai hoje é o país com mais casos por milhão de habitante da região, superando o Brasil. Os casos vêm em aumento desde que se detectou a circulação das variantes de Manaus e a britânica. O país tem 70% de seus leitos de UTI ocupados. A mediação do presidente tem relação com um plano maior de fazer do Uruguai um "hub" dos esportes na região. O país se ofereceu para sediar uma possível "bolha" para algumas disputas da Libertadores e da Copa Sul-Americana. Em sua visita a Montevidéu, Domínguez conheceu algumas instalações esportivas e comeu churrasco com dirigentes, apesar de haver restrições relacionadas a reuniões sociais no país. A visita do dirigente da Conmebol também se dá num momento em que o país está fechado para estrangeiros e não-residentes.