Presidentes dos Três Poderes emitem nota em sinal de união, dizem que medidas serão tomadas e pedem ‘serenidade’ e defesa da democracia

Os presidentes dos Três Poderes assinaram uma nota conjunta afirmando que trabalham para que “providências institucionais sejam tomadas, nos termos das leis brasileiras” sobre os atos terroristas deste domingo. A nota, assinada por Arthur Lira (Presidente da Câmara), Veneziano Vital Rêgo (Presidente em Exercício do Senado), Rosa Weber (Presidente do STF) e Lula (Presidente da República) rejeita os atos de “terrorismo, vandalismo, criminosos e golpistas”

Pela manhã, os quatro se reuniram no Palácio do Planalto para um reunião de última hora. Participaram também o vice-presidente Geraldo Alckmin e alguns ministros de estado, como Flávio Dino (Justiça), José Múcio (Defesa), Padilha (Relações Institucionais), Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil) e Paulo Pimenta (Secom). Participaram também os ministros do STF Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli e os comandantes do Exército (general Júlio Cesar de Arruda), da Marinha ( almirante Marcos Sampaio Olsen) e com o comandante da Aeronáutica (tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno).

“O Poderes da República, defensores da democracia e da carta Constitucionais de 1988, rejeitam os atos terroristas, de vandalismo, criminosos e golpistas que aconteceram na tarde de ontem em Brasília. Estamos unidos para que as providências institucionais sejam tomadas, nos termos das leis brasileiras. Conclamamos a sociedade a manter a serenidade, em defesa da paz e da democracia em nossa pátria. O país precisa de normalidade, respeito e trabalho para o progresso e justiça da nação”, diz a íntegra da nota.

No Palácio do Planalto, servidores e ministros chegaram ainda cedo para avaliar os danos. No térreo, era possível ver cacos de vidro, sangue, cadeiras e computadores quebrados. Ao lado do espelho d'água, uma camisa da Seleção rasgada e molhada. A galeria de ex-presidentes foi totalmente destruída. Um relógio de Dom João VI, do século XVII ou XVIII foi quebrado e despedaçado.

Em meio ao cenário de caos, após a perícia, funcionários começaram a limpar a sujeira e medir as janelas para a substituição de vidraças. O prédio, no entanto, ainda segue interditado para circulação.

Na área externa, havia móveis e destroços deixados pelos terroristas. Parte do material recolhido pertencia ao Salão Nobre, onde ocorre a maior parte dos eventos oficiais da presidência. Foi lá que Lula cumprimentou chefes de estado internacionais ou representantes no dia de sua posse. Entre os materiais recolhidos está uma mesa de madeira e as cadeiras usadas no salão para recepcionar os convidados.