Preso em quartel dos bombeiros, Cabral faz exercícios em quadra vigiado por agente

Após mudar de prisão três vezes por decisão judicial, o ex-governador Sérgio Cabral vive nova rotina no quartel do Corpo de Bombeiros do Humaitá, Zona Sul do Rio. Nesta terça-feira, o EXTRA registrou o banho de sol de Cabral na unidade. Enquanto do lado de fora da instituição pedestres paravam a caminhada para gritar ofensas ao ex-governador, ele praticava exercícios, sempre supervisionado por ao menos um agente do Grupamento Especial Prisional do Corpo de Bombeiros (GEP).

Cabral usava camisa branca de manga longa, calça comprida azul e tênis preto. Durante o banho de sol, ele fez exercícios na quadra do quartel por cerca de uma hora, alternando momentos de caminhada e corrida. Para o banho de sol, Cabral levou uma garrafa de água em formato de galão e um tapete para a prática de exercícios físicos. Também ontem, a Corregedoria do GEP foi ao quartel para verificar se os protocolos prisionais da unidade estão sendo seguidos. Segundo a corporação, a vistoria é "comum”, mas os bombeiros não revelaram detalhes e se irregularidades foram encontradas.

Na última semana, Cabral passou por dois presídios antes de ser levado ao quartel do Humaitá. As transferências ocorreram após uma vistoria da Justiça encontrar irregularidades na unidade administrada pela Polícia Militar em que ele estava preso desde setembro de 2021.

Preso desde novembro de 2016, Sérgio Cabral cumpria pena até a última semana no Batalhão Especial Prisional, em Niterói, administrado pela Polícia Militar. O ex-governador estava na unidade porque uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal determinava que ele ficasse afastado de pessoas que delatou em seus processos. Nos últimos dois meses, uma fiscalização da Justiça do Rio encontrou diversas irregularidades na "ala dos oficiais" do batalhão, onde estava Cabral e outros policiais militares presos — entre eles o tenente-coronel Claudio Luiz, condenado pela morte da juíza Patrícia Amiero.

Entre as irregularidades que sugerem que os presos viviam com regalias, estavam acesso à internet, uma máquina de lavar e secar roupas e até pedidos de comida por aplicativo. Os flagrantes foram usados como embasamento pelo juiz-corregedor da Vara de Execuções Penais, Bruno Rulière, para transferir cinco policiais e o ex-governador para o Complexo de Gericinó.

Com o flagrante, a Justiça determinou a transferência dele e dos PMs oficiais que estavam presos para a Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino, presídio de segurança máxima Bangu 1, conhecido como cofre. As celas no local são o oposto das encontradas no BEP: cada alojamento possui 5,53 metros quadrados com uma cama de alvenaria, um colchão e uma mesa e banco de concreto. Ao lado do dormitório, separado por uma divisória sem porta, há o "boi" — uma latrina sem vaso sanitário, sendo apenas um buraco no chão.

A defesa do ex-governador recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e obteve uma liminar que determinou a ida de Cabral para o Grupamento Especial Prisional do Corpo de Bombeiros. Apesar da decisão do STJ mencionar o quartel de São Cristóvão, Cabral foi levado para o 1º Grupamento de Bombeiro Militar, no Humaitá. A mudança foi feita pelo comando do Corpo de Bombeiros, que entendeu que a unidade na Zona Norte não está apta para receber o ex-governador. A determinação do ministro do STJ não beneficia os cinco oficiais da PM que foram levados junto com Cabral para Bangu 1.

Em um ofício obtido pelo EXTRA, o comandante da corporação, Leandro Monteiro, lista para o juiz Bruno Monteiro Rulière, da Vara de Execuções Penais (VEP), uma série de obstáculos e pede que a decisão seja cumprida no Humaitá. A unidade da Zona Sul é a mesma em que Anthony Garotinho, outro ex-governador do Rio, ficou preso por algumas horas em 2017.

Preso desde a última quinta-feira (5) no 1º Grupamento de Bombeiro Militar, no Humaitá, na Zona Sul do Rio, o ex-governador Sérgio Cabral está isolado em uma cela individual no quartel após a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que concedeu liminar e determinou a remoção de Cabral do presídio de Bangu. Na unidade, ele tem direito ao banho diário de sol, e as refeições seguem o mesmo cardápio do refeitório.

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