Preso há dois meses, Gabriel Monteiro está em cela individual em cadeia na Zona Oeste do Rio

Há dois meses atrás das grades, o ex-vereador Gabriel Monteiro permanece em uma cela individual, separado dos demais presos, na Cadeia Pública Joaquim Ferreira de Souza, conhecida como Bangu 8, no Complexo de Gericinó. De acordo com o advogado Sandro Figueredo, o isolamento atende a um pedido da defesa do também ex-policial militar, preso acusado de crimes sexuais.

Ainda de acordo com Figueredo, apesar de mantido em cela individual, Monteiro tem contato com outros presos durante o banho de sol. Bangu 8 conta, atualmente, com 337 detentos, apesar de ter capacidade para 400. Segundo informações da secretaria de Administração Penitenciária (Seap) do Rio, o ex-vereador não está trabalhando dentro da cadeia.

Gabriel aguarda, preso, à primeira audiência em um dos processos respondidos por ele, no qual é acusado de estupro. A sessão está marcada para ocorrer no dia 8 do próximo mês. Na ação, em andamento na 34ª Vara Criminal da capital, Monteiro é acusado de estuprar uma vendedora.

De acordo com o Ministério Público, o ex-PM forçou a jovem a manter relações com ele após a inauguração de uma casa noturna, em 15 de julho do ano passado, na Barra da Tijuca. Nesse processo, Gabriel teve a prisão preventiva decretada no início de novembro do ano passado.

No fim do mesmo mês, o ex-vereador teve a prisão decretada pela juíza Simone de Faria Ferraz, da 43ª vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, pelos crimes de violação sexual mediante fraude e assédio sexual contra seus ex-assessores. Os dois processos estão em segredo de Justiça. O pedido de isolamento de Monteiro na cadeia, à época de sua prisão, foi feita pelos seus advogados, alegando que o ex-vereador fez prisões em sua antiga função (de policial militar), além de ter sofrido tentativas de homicídio.

Gabriel Monteiro se entregou na 77ª DP (Icaraí) no dia 7 de novembro do ano passado, após a Justiça ter decretado sua prisão no processo no qual ele é acusado de estupro. Antes de ir para a delegacia, ele gravou um vídeo em que nega o crime e disse que vai provar sua inocência. O ex-vereador responde por um crime que teria ocorrido no dia 15 de julho, já depois da divulgação de outras denúncias contra ele, inclusive por estupro.

O inquérito apontou que o ex-parlamentar conheceu a vítima na reinauguração de uma boate e a levou para a casa de um amigo no bairro do Joá, onde a teria forçado a manter relações sexuais sem preservativo e teria lhe transmitido HPV. Na delegacia, a vítima contou que o início do relacionamento foi consensual, mas terminou em violência. Após se beijarem e trocarem carícias na casa noturna, os dois seguiram em um carro com cinco seguranças e uma amiga da jovem. Ainda no veículo, ele sacou uma arma da cintura e entregou para a amiga da mulher, que, assustada, a devolveu. Ao entrarem no quarto, ainda com a porta destrancada, o ex-vereador foi ao banheiro. Na volta, ao ver que a mulher tentava deixar o cômodo, impediu-a de sair.

Segundo a denúncia assinada pelo promotor Marcos Kac, Gabriel Monteiro "trancou a porta do quarto, retirou a arma da cintura, passou no rosto da vítima, constrangendo-a com o fim de ter conjunção carnal, e começou a rir. Em ato contínuo, pegou o telefone celular, para gravar fatos que se sucederiam, contudo, o aparelho estava sem bateria", relata o documento. Em seguida, o youtuber "foi para cima da vítima" para despi-la de forma violenta. Ela, então, teria dito que tiraria a própria roupa. Com a mulher nua, o ex-vereador "a empurrou de forma violenta sobre a cama e começou a ter relação sexual de forma também violenta, sem usar preservativo, mesmo após os apelos da vítima para que ele não mantivesse relação sem camisinha".

Durante o estupro, com a mulher chorando muito e imobilizada por ele, que segurava os dois braços dela pelos pulsos, ele passou a lhe fazer perguntas: "É minha?", "Você está gostando?" e "Se eu pedir para você ficar com um dos meus seguranças na minha frente, você ficaria?" A denúncia do Ministério Público narra que, a cada pergunta, respondendo ou não, a mulher recebia um forte tapa no rosto. Ao dizer que não ficaria com o segurança, a vítima, após apanhar de Gabriel, foi questionada novamente, respondendo sim, por medo. Mesmo assim, "recebeu um tapa mais forte, tendo o denunciado dito na sequência: 'Você não tem personalidade'."

Em depoimento, a jovem também contou que tentou, em vão, soltar as mãos para proteger sua região genital. Aos prantos e sendo xingada, ela ainda ouviu do ex-vereador: "Se você continuar assim, vai ser pior, eu vou lhe espancar". Quando parou de tentar se defender, relata ela, Gabriel Monteiro começou a falar de assuntos desconexos, como da máfia de reboque e de outros temas sem muito sentido. A vítima teria esperado o ex-vereador dormir para conseguir deixar o local. Exames médicos mostraram que ela sofreu lesões e fissuras na região genital, tendo contraído HPV.