Preso injustamente por 23 dias, cientista de dados volta a ser alvo de mandado de prisão errado

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Raoni Lázaro Barbosa passou 23 dias preso após erro. Ele foi confundido com miliciano e
Raoni Lázaro Barbosa passou 23 dias preso após erro. Ele foi confundido com miliciano e "reconhecido" por uma foto (Foto: Reprodução/TV Globo)
  • Raoni Lázaro Barbosa foi vítima de um mandado de prisão errado emitido pela Justiça

  • Homem passou 23 dias preso após suposto "reconhecimento" por uma foto. Ele foi confundido com integrante de uma milícia, chamado Raony Ferreira

  • Família e advogados lutam para alterar informações de Raoni na polícia

Raoni Lázaro Barbosa, cientista de dados, passou 23 dias preso por um engano e, menos de uma semana depois de voltar para casa, foi vítima de mais um erro. Segundo informações da TV Globo, foi expedido um mandado de prisão para o miliciano Raony Ferreira, mas o endereço registrado era o de Barbosa.

O miliciano vive em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, enquanto Raoni Babosa vive em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A noiva do cientista de dados, Érica Armond, descreveu a situação como “um pesadelo que não acaba”.

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“Na noite de terça-feira (14), ficamos sabendo que o mandado de prisão foi expedido com o nosso endereço. É uma sequência de erros inadmissível. Temos medo de passar mais uma vez por tudo que já passamos”, disse à TV Globo.

A 1ª Vara Criminal, por sua vez, disse que soube do erro pela imprensa nesta quarta-feira (15). Agora, a Justiça está apurando de quem foi o engano. Além disso, a vara determinou a retificação do mandado de prisão.

Ao serem notificados sobre o erro na noite de terça, os advogados de Raoni Lázaro Barbosa pediram a mudança de endereço junto à Justiça para evitar que o cientista de dados voltasse a ser preso erroneamente.

“Essa última noite não foi fácil. Ficamos muito apreensivos. Normalmente quando vêm, eles não perguntam o nome completo. Tínhamos medo que ele fosse levado apenas pelo primeiro nome. Os policiais não quiseram verificar, por meio do nome completo, se era mesmo o Raoni que estavam procurando. Eles o algemaram e o levaram logo para a delegacia”, afirmou a Érica em entrevista à TV Globo.

A luta da família, agora, é para tirar os dados de Raoni Lázaro Barbosa do sistema da política. Ele foi preso no dia 17 de agosto durante uma operação da Polícia Civil. O cientista de dados foi acusado de fazer parte de uma milícia em Duque de Caxias. O homem afirma que se trata de um erro policial.

No dia em que foi solto, Raoni relatou que tentou explicar o tempo todo que se tratava de um erro, mas não foi escutado pelas autoridades. O casal vive em Campo Grande e nunca moraram em Duque de Caxias.

O reconhecimento de Raoni Barbosa foi feito por uma foto, prática que não é prevista na lei do Brasil. Segundo a defesa, a única semelhança entre Raoni, cientista de dados, e Raony, acusado de fazer parte de uma milícia, é que os dois são negros.

Dados do Colégio Nacional de Defensores Públicos-Gerais, divulgados pela Globo, apontam que 90 pessoas já foram presas de forma injusta baseado no suposto reconhecimento de fotos entre 2012 e 2020. No Rio, foram 73 e 81% delas são negras.

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