Preso na Alemanha gambiano suspeito de participar em assassinato de jornalista da AFP

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(Arquivo) O correspondente da AFP na Gâmbia, Deyda Hydara, em 1999

Um gambiano, preso nesta terça-feira na Alemanha, foi colocado em prisão provisória, anunciou nesta quarta-feira (17) o Ministério Público Federal, suspeito de ter participado do assassinato em 2004 de três pessoas na Gâmbia, uma delas correspondente da AFP.

Apresentado pela imprensa alemã como Bai Lowe, ele é suspeito de estar envolvido no assassinato a tiros em 16 de dezembro de 2004 de um jornalista gambiano e correspondente da AFP, Deyda Hydara, segundo fontes concordantes.

O indivíduo, detido em Hannover no noroeste do país, estava na mira das autoridades judiciais por crimes contra a humanidade em seu país, entre 2003 e 2006, segundo o MP de Karlsruhe.

De dezembro de 2003 a dezembro de 2006, foi motorista de uma unidade de forças armadas responsável por assassinar pessoas críticas ao governo do país, segundo a mesma fonte.

O filho do correspondente, Baba Hydara, expressou sua esperança de que os assassinos de seu pai fossem levados à justiça.

"Não fiquei surpreso ao saber da prisão de Bai Lowe porque sabia que os juízes alemães estavam trabalhando no caso", disse ele à AFP.

Baba Hydara, que há muito tempo luta pela prisão dos assassinos de seu pai, disse que estava "aliviado": "Sei que as autoridades alemãs descobrirão a verdade".

Deyda Hydara foi considerado o chefe dos jornalistas deste pequeno país da África do Oeste. De 58 anos, pai de quatro filhos, co-fundador do jornal privado The Point, também era correspondente da Agencia France-Presse (AFP) há 30 anos e do Repórteres Sem Fronteiras (RSF) na Gâmbia.

Em 2019, na comissão "Verdade, Reconciliação e Reparação" (TRRC) na Gâmbia, ex-membros de um esquadrão da morte a serviço pessoal do ex-presidente gambiano Yahya Jammeh admitiram terem assassinado o jornalista Deyda Hydara, mais de 50 migrantes em uma praia e ex-colaborares de Jammeh, de quem suspeitavam que queriam derrubá-lo.

A Justiça alemã aplica o princípio de "jurisdição universal" que permite julgar crimes na Alemanha independente do lugar no mundo em que tenham sido cometidos.

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