Preso pela polícia, Tio Comel era capaz de clonar veículo em quatro horas e vendia até para o exterior

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RIO — Apontado como o maior ladrão e clonador de carros do Rio de Janeiro e um dos maiores do Brasil, Thiago Fernandes Virtuoso, conhecido como Tio Comel, preso nesta sexta-feira em uma ação da Polícia Civil no Morro do Turano, Rio Comprido, Zona Norte do Rio, possuía uma vasta clientela no Brasil e no exterior. Isso porque o bandido possuía grande habilidade e rapidez em suas atividades criminosas. Segundo a polícia, ele era capaz de clonar um carro em apenas quatro horas e entregar para o destinatário. A falsificação era tão detalhada que até os peritos da polícia tinham dificuldades em identificar que o veículo era clonado.

— O Comel recebia encomendas do país todo, ele tinha uma importância muito grande. A especialização que ele tinha em relação a clonagem era tanta que ele recebia encomendas de toda a parte do país. Assim que recebia um veículo, ele era capaz de fazer a clonagem em quatro horas e despachar. Apesar do índice de roubo de veículos estar bem baixo, acreditamos que, com essa prisão, deve cair ainda mais, pois ele não tem um sucessor. A habilidade dele era tão única que não há outro criminoso que possa seguir com esse serviço para a facção — disse o delegado Marcio Braga, titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA).

A fama e a expertise do criminoso, inclusive, já haviam chegado a países vizinhos ao Brasil. Segundo o secretário de Polícia Civil, Alan Turnowski, Comel, além de despachar veículos para outros estados, já havia feito negócio e enviado veículos para compradores no Paraguai e na Bolívia, como foi descoberto na investigação.

— Esses veículos iam para São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, inclusive, para o exterior também. Havia uma procura grande por esses veículos utilitários, pick-ups por compradores de áreas rurais e de países que fazem fronteira, como Paraguai e Bolivia. A demanda já era tanta, que aqueles que roubavam já pegavam e levavam diretamente para ele — afirmou Turnowski.

A clientela de Comel também era ampla. Além de trabalhar para o Comando Vermelho, ele também já havia feito serviços de clonagem para a milícia e vendia os veículos adulterados em sites de venda pela internet. Segundo Marcio Braga, ele conseguiu vender os veículos por preços próximos ao de um original no mercado de automóveis:

— Ele abastecia a milícia também, mas a grande maioria das encomendas dele era dentro da facção. Estelionatários também o procuravam e passavam os veículos por sites de compra e venda de veículos. Ele tinha uma equipe somente para cuidar dessas vendas pelos sites. Como grande parte das encomendas era de veículos de luxo, ele adulterava e vendia pelo preço praticamente de mercado, o que aumentava o lucro obtido com esse ilícito. É um duro golpe financeiro para os criminosos a perda dessa renda.

Tio Comel faz aniversário neste sábado, quando completa 36 anos. A polícia negou que a operação tenha sido planejada para ocorrer propositadamente na véspera da data, mas confirmou que tinha a informação de que ele estaria preparando uma grande comemoração, com muita bebida e foguetório dentro da comunidade.

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