Preso por organizar show de Belo diz que nenhum evento acontece no Parque União sem permissão do tráfico

Paolla Serra
·2 minuto de leitura

RIO - Preso acusado de organizar o show clandestino do cantor Marcelo Vieira Pires, o Belo, no pátio do Ciep 326 Professor César Pernetta, no Parque União, no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio, Celio Caetano confirmou que nenhum evento acontece dentro da comunidade sem a anuência do chefe do tráfico local - Jorge Luiz Moura Barbosa, o Alvarenga. O criminoso, nascido no conjunto de favelas, controla a venda de drogas na região há mais de uma década e é considerado foragido desde 2006, quando passou a responder o primeiro processo criminal por tráfico de drogas.

De acordo com o depoimento prestado por Celio, na Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), ao qual O GLOBO teve acesso, ele relata ter sido contratado verbalmente por um DJ para realizar o evento, para o qual forneceria uma equipe de som pelo valor de R$ 5.500. Ele negou ter tido contato com qualquer traficante da comunidade e ter visto homens armados no local.

Celio disse ainda que monta a equipe de som nos eventos e vai para dentro de um caminhão, até mesmo para “evitar de ser infectado pela Covid-19”. Ele ressaltou ainda que, no caso do show do Belo, o cantor tem uma equipe própria contratada pelo artista.

- O depoimento deixa claro que o Celio em momento algum realizou a contratação de qualquer artista, tampouco foi o responsável pela realização do evento. Como ele frisou na delegacia, ele apenas forneceu o equipamento de som que foi usado por DJs antes e depois do show do Belo - defendeu alegou o advogado Walter Marcelino de Araújo Neto.

Celio Caetano - assim como Belo e Joaquim Henrique Marques Oliveira - ficou preso por pouco mais de 24 horas e conseguiu um habeas corpus no Tribunal de Justiça do Rio. Ele também teve bens apreendidos e valores bloqueados em suas contas correntes. Todos são investigados pelos crimes de causar epidemia, infração de medida sanitária preventiva, esbulho possessório (pela invasão da escola) e organização criminosa.

Devolução: Advogados vão pedir devolução de R$ 130 mil e armas apreendidos na casa de Belo