Preso por sequestrar juiz americano em Copacabana é chefão de milícia

Preso na última segunda-feira acusado de participar do sequestro de um juiz americano em Copacabana, na Zona Sul do Rio, Erivaldo Juvino Silva, conhecido como Nem da Malvina, é apontado como o principal chefe de uma milícia que atua em Jacarepaguá, na Zona Oeste da cidade. Ao lado do irmão, Damião Juvino da Silva, o Damião da Malvina, Erivaldo comando o grupo paramilitar que age em pelo menos seis comunidades da Taquara, entre elas a que conferiu o apelido aos dois parentes.

Investigações apontam que os irmãos são aliados de Leandro Xavier da Silva, o Playboy da Curicica, que atua em moldes similares na mesma região. Ainda de acordo com a polícia, todos fazem parte, em maior escala, da milícia de Luís Antônio da Silva Braga, o Zinho, que entre o segundo semestre do ano passado e o início de 2022 protagonizou uma guerra sangrenta com Danilo Dias Lima, o Tandera, pelo espólio do paramilitar Wellington da Silva Braga, o Ecko, morto em junho.

Erivaldo chegou a ser preso em março de 2016, quando já era citado como chefe de milícia no bairro da Taquara e suspeito de assassinatos ocorridos na região. Foragido à época por formação de quadrilha e porte ilegal por arma de fogo, ele portava, ao ser detido por agentes da Delegacia de Homicídios (DH), um fuzil com luneta, uma pistola e um colete à prova de balas.

Pouco mais de um ano depois, em abril de 2017, Erivaldo foi condenado a 4 anos e 8 meses de reclusão pelo crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Na sentença, o juiz Marco José Mattos Couto, da 1ª Vara Criminal, frisou que os "maus antecedentes" e a "reincidência do réu", que já somava, na ocasião, duas condenações anteriores. Em fevereiro deste ano, porém, a Justiça concedeu liberdade condicional para Nem da Malvina.

Nesta segunda, Erivaldo voltou a ser preso, em Copacabana, por policiais de uma força-tarefa formada pela Delegacia Antissequestro (DAS), pela Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat) e pela 24ª DP (Piedade). Desta vez, ele foi enquadrado no crime de extorsão mediante sequestro por conta do episódio envolvendo o magistrado americano, que acabou libertado pelos agentes no mesmo bairro.

As investigações tiveram início depois que a 24ª DP recebeu informações sobre um estrangeiro sequestrado por bandidos, que exigiam pagamento como resgate. A polícia acabou descobrindo que a vítima foi rendida por dois homens em seu flat, em Copacabana, horas depois de receber duas garotas de programa. Elas voltaram ao imóvel com os criminosos, que roubaram dinheiro do turista e o levaram para local desconhecido.

Em depoimento, a vítima contou que costuma vir ao Brasil há 20 anos a turismo, sempre se hospedando em flats de Copacabana. Ele relatou que já manteve um relacionamento com uma brasileira no passado. O juiz chegou ao Rio no último dia 3 e, uma semana depois, marcou um encontro com duas prostitutas que havia conhecido em viagens anteriores.

Na manhã desta segunda-feira, segundo o relato do americano, as garotas de programa pegaram um carro de aplicativo para deixar seu flat por volta das 11h30. Uma hora depois, contudo, as mulheres bateram à porta do apartamento. Quando abriu, dois homens entraram, acompanhando as duas prostitutas.

Os homens se apresentaram como policiais e afirmaram que o juiz estaria preso. Um deles, segundo a vítima, estava armado com uma pistola. O magistrado também reconheceu um dos criminosos como sendo Erivaldo. Após horas de diligências e negociação entre vítima e sequestradores, policiais prenderam Edivaldo no momento em que os criminosos retornaram para o bairro de Copacabana. O juiz americano foi libertado sem pagamento de resgate. As autoridades ainda buscam outros envolvidos com o crime.

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