Preso subtenente da PM apontado pelo MP como um dos integrantes de uma milícia da Baixada

Rafael Nascimento de Souza
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A Corregedoria da Polícia Militar prendeu na tarde deste domingo o subtenente reformado Willian Xavier Crisóstomo, de 55 anos. Ele será levado para a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). A corporação não informou onde o PM foi encontrado. Contra o oficial, que é acusado de integrar uma milícia – que atua na Baixada –, havia um mandado de prisão em aberto expedido pela 1ª Vara Criminal Especializada da Capital. No último dia 7, durante uma operação da inteligência da corporação para prender o PM acabou resultando na morte do sargento Carlos da Costa Lima Júnior, de 38 anos, em Nova Iguaçu, na Baixada. Lotado na 8ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (8ª DPJM), que tem como foco investigações sobre a ligação de PMs com milícias, o sargento participava de diligências, com apoio da 3ª DPJM, para tentar localizar Willian.

No dia 7, ao chegarem à localidade da Praça dos Zumbis, no bairro Jardim Iguaçu, os agentes da Corregedoria foram recebidos a tiros por homens armados divididos em dois carros. Em um dos veículos, após o confronto, foi encontrada a identidade funcional de Willian. Segundo a polícia, o subtenente foi baleado, mas conseguiu fugir com a ajuda de um membro da família. Buscas por Willian ainda chegaram a ser feitas em diversas unidades de saúde da região. No entanto, ele não foi localizado.

No tiroteio, também ficou ferido Hilton Carlos Soares Rodrigues, de 45 anos, com quem foi apreendida uma pistola. Tanto ele quanto o sargento Carlos Júnior, alvejado no peito, foram socorridos para o Hospital Geral de Nova Iguaçu (HGNI), o Hospital da Posse. Segundo a administração do HGNI, o PM já chegou à unidade em parada cardiorrespiratória, e as manobras de ressuscitação tentadas pelos médicos plantonistas não surtiram efeito. Hilton, por sua vez, encontra-se sob custódia no hospital.

Horas após o crime, o Disque-Denúncia divulgou um cartaz em que pedia informações, com anonimato garantido, que pudessem levar à captura de Willian Xavier. Ele é apontado como um dos principais chefes da quadrilha integrada por Leonardo Oliveira Aguiar, o Léo Jaqueira, de 31 anos. Leonardo foi preso em agosto do ano passado pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco).

O inquérito que resultou no mandado de prisão contra Willian Xavier teve como base uma investigação da DHBF. Ao aceitar a denúncia do Ministério Público do Rio (MP-RJ) e enquadrar o PM reformado e mais 12 réus, a juíza Juliana Benevides de Barros Araújo frisa que a prisão é "necessária à garantia da ordem pública", uma vez que, ainda de acordo com o texto da magistrada, "a organização criminosa encontra-se operante, subjugando cidadãos".

De acordo com a denúncia, a principal área de atuação da quadrilha fica nas localidades do Morro Agudo, também em Nova Iguaçu, e do próprio Jardim Iguaçu, onde ocorreu o confronto. Na mesma decisão, a juíza também destaca a participação no grupo criminoso de "agentes públicos, que deveriam atuar em prol da população, mas que, ao revés, dedicam-se à prática de crimes tais como homicídios e extorsão, vitimando a população daquelas localidades e, ainda, a paz social".Preso subtenente da PM apontado pelo MP como um dos integrantes de uma milícia da Baixada