Preso, Torres se sente 'abandonado' por Bolsonaro e não deve 'cair sozinho'

Temor da cúpula bolsonarista é de que ex-ministro da Justiça negocie delação

Anderson Torres estaria insatisfeito com tratamento do ex-presidente Jair Bolsonaro desde que se viu envolvido nas investigações dos atos golpistas do dia 8 de janeiro em Brasília. (EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Anderson Torres estaria insatisfeito com tratamento do ex-presidente Jair Bolsonaro desde que se viu envolvido nas investigações dos atos golpistas do dia 8 de janeiro em Brasília. (EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
  • Anderson Torres sinalizou a pessoas próximas incômodo com tratamento dado por Jair Bolsonaro

  • Ex-ministro da Justiça foi preso no sábado por ser considerado conivente com atos terroristas em Brasília

  • Aliados bolsonaristas temem que Torres possa negociar uma possível delação com a polícia

Preso desde a manhã do último sábado (14), após desembarcar em Brasília, Anderson Torres estaria se sentindo "abandonado" pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com informações do jornalista da TV Globo Gerson Camarotti, Torres sinalizou a pessoas próximas que está insatisfeito com o tratamento dado por Bolsonaro a seu caso.

A informação, inclusive, já teria chegado a pessoas próximas ao ex-presidente, que manifestaram preocupação com o que o ex-ministro da Justiça pode dizer.

Torres ainda não prestou depoimento e nem há data definida para que isso ocorra, mas a temor da ala bolsonarista de que ele possa negociar uma possível delação premiada se continuar insatisfeito.

À coluna Radar, da revista Veja, uma pessoa próxima ao ex-ministro indicou que Torres pode mesmo "derrubar" outros ex-integrantes do governo.

Segundo esta fonte, o ex-ministro fez favores para gente importante em Brasília e guardou informações relevantes sobre diversas figuras do poder. "Se (ele) for abandonado, não cairá sozinho", afirmou.

A prisão de Torres

Anderson Torres foi detido pela Polícia Federal assim que desembarcou em Brasília no fim de semana, vindo dos Estados Unidos, onde estava desde os primeiros dias do ano.

Ministro da Justiça entre março de 2021 e dezembro de 2022, ele foi nomeado secretário de Segurança Pública do Distrito Federal pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) após a derrota de Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial.

A ordem de prisão a Torres foi um pedido da PF e referendada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que entendeu que a atuação do secretário foi conivente e omissa em relação aos atos terroristas praticados em Brasília no último dia 8.

Como se organizaram os atos terroristas em Brasília? A linha do tempo interativa abaixo te mostra, clique e explore:

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